
São José dos Campos estende tapete vermelho no dia 2 de junho para Luís Pato, um dos mais importantes vitivinicultores de Portugal, com um jantar harmonizado no restaurante Cassiano, no Hotel Golden Tulip do Shopping Colinas.
A visita de personalidades do mundo internacional do vinho como Luís Pato contribui para colocar a cidade no roteiro de lançamentos e avaliações de rótulos que tanto atraem apreciadores de vinho e movimentam o setor. Vinhos de Bicicleta e Amicci, outras duas casas em São José, têm carinho especial por pequenos e originais produtores brasileiros, mas engrossam o caldo com figuras de renome da viticultura mundial.
Todos os três restaurantes tem trabalhado o conceito de enogastronomia, quando o vinho se apresenta unido à cozinha de qualidade. O Amicci abre sua 15ª Feira de Vinhos nesta terça-feira (25). Ferraz já anuncia o Festival Vinhos de Bicicleta 2026 para agosto, no CenterVale Shopping.
O Vinhos de Bicicleta também já celebrou a enogastronomia com grandes nomes portugueses. Sónia Martins (Lusovini) e Ricardo Santos (XXVI Talhas) já estiveram em São José dos Campos a convite do sommelier Rodrigo Ferraz, assim como Renan Cancino (El Viejo Almacén de Sauzal) e Felipe Uribe (Andes plateau), ambos do Chile, e Frederico Cassone, da bodega argentina Familia Cassone.
Ricardo Santos, do Talhas XXVI, por exemplo, pôde mostrar como se dá a produção de seus vinhos artesanais no coração do Alentejo, em Vila Alba, feitos em ânforas, como os romanos faziam há mais de dois mil anos.
O homem da Bobal
Luís Pato, a grande atração do jantar do Cassiano, é de tradicional família de viticultores em Portugal que manejam vinhedos e fazem vinhos na região da Bairrada desde o século XVIII. Enólogo de espírito pioneiro e inovador, Luís Pato desde 1980 é o grande embaixador da uva Baga, uva autóctone da Bairrada, essa região litorânea de Portugal.
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Varietais de vinhedo único da Vinha Pan são objetos de desejo de enófilos do mundo inteiro. Além dos “bagas”, Luís Pato tem produzido distintos vinhos brancos com as uvas Cercial, Sercealinho e Bical. No portfólio de espumantes, atenção para o Maria Gomes.
Para acompanhar alguns vinhos de Luís Pato, o chef Euclides Vaz, gerente de Alimentos e Bebidas e enólogo do restaurante Cassiano, vai servir os tradicionais arroz de pato e arroz de polvo ao vinagrete português. “Será uma jornada sensorial única”, promete o chef Vaz.
“O segredo da harmonização está em entender que vinhos da Baga não pedem pratos delicados demais. Eles precisam de gordura, colágeno, untuosidade e profundidade de sabor para equilibrar sua estrutura. Por isso, nossa culinária [do Cassiano] conversa muito reforçando o equilíbrio entre o arroz de pato e a paleta de cordeiro com vinhos do Luís Pato”, explica Euclides Vaz.
O mundo inteiro conhece a uva Baga, mesmo sem que ela tenha sido devidamente apresentada. Há mais de uma década, entretanto, um grupo de produtores saiu a campo, com paixão e bom-humor, os Amigos da Baga. Esses produtores da Bairrada têm arregaçado as mangas para promover o que a casta pode conseguir de melhor: garrafas com taninos macios para vinhos tintos de guarda de qualidade com os vinhos de Luís Pato.
Na lista dos “amigos da Baga” estão justamente Luís Pato (Vinícola Luís Pato), sua filha Filipa (Vinícola Filipa Pato), Mário Sérgio Nuno (Quinta das Bágeiras), Paulo Sousa (Vinícola Sidónio de Sousa), António Rocha (Vinícola Bugaço), João Póvoa (Vinícola Kompassus), François Chasans (Quinta da Vacariça) e Dirk Niepoort (Quinta do Baixo e famoso produtor de vinhos do Porto e do Douro).

“A Baga é uma diva” que pode ser comparada à uva Nebbiolo, dos italianos Barolos, e à Pinot Noir dos Borgonhas, avaliou certa vez Sarah Ahmed, especialista em vinhos portugueses da revista britânica The World of Fine Wine.
Mateus Rosé
Quando se diz que todos conhecem a cepa Baga mesmo sem saber, é porque essa variedade portuguesa está por trás do popularíssimo Mateus Rosé. Desde que foi lançado, em 1942, perto de um bilhão de garrafas desse vinho foram vendidas em mais de 120 países, sendo responsável pela iniciação etílica de muita gente.
A ideia de um vinho global como o Mateus Rosé foi do empreendedor Fernando Van Zeller Guedes, fundador do grupo Sogrape, hoje com um eclético portfólio, formado depois de uma série de aquisições. No Brasil, o fresco e versátil Mateus Rosé (com a tradicional garrafa em estilo “flask”, semelhante à dos vinhos alemães da Francônia) foi febre nos anos 1960/1970, em tempo de poucas opções e exigências.

A maioria dos cerca de 2.000 produtores de Baga na Bairrada, uma das regiões vinícolas de Portugal onde é mais cultivada, ao lado da Beira, ainda trata de colhê-la mais cedo para os rosés, evitando o risco da colheita em setembro, época de chuvas.
A Bairrada tem marcante influência atlântica, com clima muito úmido. Com isso, um dilema se instala, já que uvas para tintos da Baga teriam de amadurecer por mais tempo nas videiras. Luís Pato, por exemplo, já driblou o clima com uma “colheita verde”, descartando cachos quando estes começam a mudar de cor, e fazendo com que os remanescentes ganhem em concentração. Ele também ganhou em qualidade ao fermentar as bagas sem os caules e ao “arredondar” os taninos em barricas de carvalho francesas.
Já a filha de Luís, Filipa, garantiu tipicidade a seus vinhos de Baga a partir de plantas mais antigas. Como escreve Sarah Ahmed, a culpa dessa conjuntura desfavorável aos tintos varietais não pode ser atribuída somente ao mar de rosés. Houve uma queda de qualidade geral na indústria vinícola portuguesa após a Revolução dos Cravos, em 1974.
Os vinhos eram então vendidos a granel para colônias na África, por negociantes e cooperativas que dominavam a produção da Bairrada. (Exceção deve ser feita aos vinhos garrafeira, principalmente os da Caves São João Frei João, que mantiveram regras de vinificação). A área vinícola cresceu e perdeu em qualidade. Era preciso reverter o quadro.
Em 1979, a Bairrada conseguiu seu devido status de região demarcada. Anos depois, com a volta da democracia e a integração de Portugal à Comunidade Europeia (1986), os vinhedos e os negócios passam a ser restaurados. Começa então a “Revolução da Baga” liderada pelo incansável Luís Pato.
Serviço(s)
Jantar Harmonizado com “Luís Pato – O Rei da Baga”
- Data: 2 de junho, às 19h
- Local: Cassiano Restaurante, no Hotel Golden Tulip (Colinas Shopping) —Avenida São João, n° 2200, Jardim das Colinas
- Valor: R$ 790 por pessoa
- Vagas limitadas
- Reservas pelo telefone (12) 99149-2949
15ª Feira de Vinhos do Amicci Anchieta
- Data: 26 de maio, das 19 às 22h
- Local: Amicci Anchieta
- Ingressos: vendas antecipadas pelo Sympla e Whatsapp
- Informações: (12) 997056829
Festival Vinhos de Bicicleta
- Data: 28 e 29 de agosto, a partir das 18h
- Local: Center Vale Shopping — av. deputado Benedito Matarazzo, n° 9403, Jardim oswaldo Cruz
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