
Fiquei algum tempo aqui matutando sobre que adjetivos usar para descrever o espetáculo Villa Brasil, que reúne músicos da Orquestra Joseense e bailarinos da Cia de Dança, em espetáculo que comoveu o público na quarta-feira (17) à noite, no Cine Santana, em São José dos Campos. Eles vão aparecer naturalmente.
Enquanto escrevo este texto, a récita de hoje (19) está com os ingressos praticamente esgotados. A cidade pede bis ao maestro William Coelho e à coreógrafa Lili de Grammont. Quem sabe possam pensar em nova temporada para a atração em 2026.
A apresentação é de uma sofisticação estética extrema e cumpriu o desafio de unificar dança, música e artes, sob o clima atávico da Semana de Arte Moderna de 22. É Heitor Villa-Lobos na veia. O músico, compositor e maestro, moderno antes do Modernismo, foi consagrado na semana de arte de “loucos”, em compasso de “desafrancesamento”, apresentando suas peças em três dias de festival.



Agora, aqui, mais de 100 anos depois, Bachianas e Choros executados com vigor e sensibilidade em Villa Brasil conseguem dar ritmo à ousadia estética dos bailarinos, com figurinos minimalistas de primeira. O espetáculo promove a sincronia entre as linguagens; pontos tão bem dados pela batuta do maestro que não se sente a costura (não se sente no desenho final, é surpreendente no seu processo de atiçar os músicos). Unidade que impressiona.
As referências visuais de obras de expoentes da Semana de 22 (Tarsila do Amaral, Anita Malfatti, Di Cavalcanti) também em movimentos de projeção (os operários de Tarsila, por exemplo), é outro ponto que une os artistas no largo palco e aqueles músicos que dividem um espaço apertadinho logo abaixo. E isso permite uma pequena digressão: não está mais do que na hora de um teatro teatro?
Quando olhei para trás e para a minha fileira no teatro, vi que não só eu tinha os olhos marejados. E daí veio Trenzinho Caipira. E daí foi choro mesmo.

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