
Enquanto ajuda a moldar os jovens da Orquestra Joseense, quase uma escola que leva músicos a partir dos 16 anos para o caminho de uma carreira profissional, o maestro William Coelho tem feito grandes esforços para formar e também identificar o público da orquestra em São José dos Campos.
Ao longo de 2025, a orquestra apresentou obras dos principais nomes da música erudita mundial, como Beethoven, Mozart, Tchaikovsky e Charpentier. Em algumas ocasiões, abrasileirou seu repertório com Villani Côrtes, Clarisse Assad, Carlos dos Santos e outros compositores que fazem música de concerto com a nossa identidade.
É um trabalho de formiguinha mostrar que a música erudita não vem apenas da Europa, como também que há espaço nela para amantes de sertanejo, pagode, MPB, para mim e para você. Não é um movimento novo, mas remar contra a maré exige consistência.
Na Semana de Arte Moderna de 1922, evento que reduziu o abismo existente entre o clássico e o popular no Brasil e deu início ao movimento Modernista, músicos, escritores, arquitetos e artistas pautados pela valorização do que é produzido em casa foram gigantes formigas operárias. Mais de um século depois, as obras disruptivas assinadas por alguns desses artistas são relembradas e reapresentadas em uma montagem inédita de música e dança na cidade.
Cia de Dança ft. Orquestra Joseense
Nos dias 17 e 19 de dezembro, no Cine Santana, a Cia de Dança de São José dos Campos e a a Orquestra Joseense encerram o ano com “Villa Brasil”, um balé inspirado na Semana de 22 com trilha do compositor e maestro Heitor Villa-Lobos executada ao vivo.
As apresentações vêm sendo elaboradas em conversas desde o início de 2025. “A gente tem uma afinidade artística com o maestro e um respeito mútuo muito grande”, disse a diretora da Cia de Dança, Lili de Grammont, que enfatiza o quanto é especial dançar com música ao vivo.
A coreografia combina dança contemporânea, movimentos neoclássicos e vídeo mapping. Obras de Tarsila do Amaral, Anita Malfatti e Di Cavalcanti serão projetadas no palco e vão se misturar aos movimentos do balé. “Não tem uma história, mas sim uma inspiração a partir dos quadros no encontro com a música do Villa Lobos”, explica Lili.
O figurino é um ponto fundamental para o sucesso dessa harmonização. Durante o espetáculo, os dançarinos usarão trajes que conversam diretamente com as cores, formas ou as sensações passadas por cada obra. “Cada quadro pede um elemento específico”, conta a coreógrafa. “É uma costura mais subjetiva, mas que vai estar nessa sintonia”.
As entradas são gratuitas e devem ser reservadas dois dias antes de cada exibição pelo site da Fundação Cultural Cassiano Ricardo.
“Muito poderia ser dito sobre esse espetáculo, ao mesmo tempo em que nada que seja dito tem o poder de explicar o que vai ser vivenciado ali. Então, minha sugestão é: garanta o seu ingresso”, orienta o maestro William Coelho.
Serviço
- Cine Santana: av. Rui Barbosa, n° 2005 – Santana
- WhatsApp para tirar dúvidas: (12) 99740-4427