
O mundo é engraçado, muitas vezes ele dá voltas, outras vezes ele capota, rola para a frente e para trás em torno da mesma história…
No sábado passado (29), fui à FLIM, a Festa Literomusical de São José dos Campos, para ver dois amigos que estavam lançando livros por lá: o fotógrafo Ricardo Martins, com seu “Os Últimos Filhos da Floresta”, e a professora Thereza Osório, com “Professora, Sim Senhor”.
Mesmo na versão esvaziada da FLIM, depois do episódio de censura à jornalista Milly Lacombe, as salas de Ricardo e Thereza estavam cheias. Bom sinal…
Voltando ao fio da meada, foi na sala da professora que as voltas e reviravoltas do mundo deram sua cara.
Ao falar sobre vocação e oportunidades, Thereza lembrou uma história antiga, sobre a redação de um aluno que ela tentou, por diversas vezes, publicar nas páginas do antigo jornal “ValeParaibano”, jornal do qual fui editor-chefe por 13 anos.
Tentou, tentou, tentou, sem sucesso, até que, um dia, conseguiu. E isso, segundo Thereza, foi um dos fatos que ajudaram esse aluno a seguir em frente e se tornar, anos mais tarde, professor.
Não lembro da redação, mas lembro da história.
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O que isso tem a ver com essa crônica?
Ora, na manhã daquele mesmo sábado tinha passado alguns minutos a conversar por telefone com o piloto Emerson Fittipaldi, bicampeão mundial da Fórmula 1, acertando a sua participação em um evento de OVALE. Ele na Itália, eu em São José dos Campos. Foi uma conversa agradável, entre as muitas que tivemos nos últimos dias.
Não tive coragem de confessar a ele, mas Emerson foi um ídolo de infância.
Suas vitórias em 1972, pela Lotus, valeram, para mim, muitas alegrias e muitas redações, escritas, confesso, por pura obrigação, sob as ordens de Dona Esther, Esther Ferrer, minha professora de Língua Portuguesa, na escola estadual, o Oswaldo Cruz, de Cruzeiro.
“Você só escreve sobre esportes, Hélcio?”, perguntou, uma vez, Dona Esther. Pois é, uma dessas histórias de esportes, sei lá como, acabou publicada no jornal da cidade, por influência da professora.
Tomei um susto…
Nessa época não pensava em ser jornalista, sonhava em ser arquiteto. Escrevia, aqui e ali, alguns textos para o jornalzinho da escola e olhe lá. Ver meu nome e meu texto no jornal da cidade, com uma foto da Lotus de Emerson, debaixo de um título do tipo “crônica de um estudante”, me pareceu algo grande demais para o meu tamanho, um moleque tímido que só queria jogar bola.
Quem diria que, um dia, eu ia viver disso…
Essa lembrança me veio à memória ao falar com Emerson e ganhou força, ainda mais, com a história contada por Thereza Ozório no Vicentina Aranha, tudo em uma questão de poucas horas.
Coincidência? Sei lá.
Minha mãe, Dona Nívia, dizia que coincidência não existe. Ela sabia das coisas. A vida é estranha, cheia de indas e vindas, cheia de curvas e remansos, como mostrou Marcel Proust, com suas “madeleines”. Mais simples foi Zeca Pagodinho, deixa a vida me levar. Vou nessa.
Segue o baile…