
Foi divulgado o laudo de necropsia de Bruce, o buldogue francês de 10 meses que faleceu no dia 24 de outubro, após passar por um procedimento de banho e tosa em um estabelecimento localizado no Vale Sul Shopping, em São José dos Campos. O documento pericial associa o óbito a um quadro de insuficiência respiratória aguda e choque circulatório, desencadeados por condições de estresse e ambiente.
O que diz o laudo
Segundo o histórico apresentado no documento, Bruce estava no estabelecimento Cia do Tosador, empresa terceirizada da Pet Camp, quando foi colocado em uma máquina secadora modelo Saara Turbojet. O relato aponta que o animal permaneceu no equipamento por aproximadamente 10 minutos e apresentava respiração muito ofegante durante o processo.
O exame necroscópico revelou que o cão sofreu hiperemia generalizada (aumento da quantidade de sangue) nas superfícies cutânea e subcutânea. Os pulmões apresentavam congestão e hemorragia acentuadas, evidenciadas pelo volume de sangue encontrado na traqueia, brônquios e cavidade oral. Também foram notadas alterações no fígado e nos rins compatíveis com distúrbio circulatório grave.
A conclusão do laudo detalha uma cadeia de eventos fisiológicos fatais para um cão de raça braquicefálica (focinho curto):
“Pode-se inferir que o animal apresentou hiperventilação por condições estressantes, tais como temperatura e ambiente […]. Essa hiperventilação compensatória e o esforço respiratório exagerado elevam a pressão intratorácica […], comprometem o retorno venoso e a perfusão pulmonar e levam à hipóxia tecidual.“
O texto explica ainda que a dificuldade de termorregulação levou à ocorrência de acidentes vasculares hemorrágicos nos pulmões, resultando na falência de múltiplos órgãos.
Atendimento de emergência
O laudo, assinado pela Dra. Janaína Duarte, cita o atendimento realizado no hospital veterinário para onde Bruce foi levado pelos tutores. Segundo o registro, o animal chegou ao local com hemorragia nasal e oral, hipotermia (35,6 °C), abdômen distendido e mucosas cianóticas (arroxeadas pela falta de oxigênio).
Foram realizadas manobras de ressuscitação cardiopulmonar e aplicação de adrenalina por cerca de 15 minutos, mas o animal não resistiu.
Posicionamento
Procurada pela equipe do Portal Spriomais, a Cia do Tosador enviou uma nota oficial na qual apresenta sua versão sobre a cronologia dos fatos e o histórico de atendimento do animal. No entanto, o texto enviado pela empresa não comenta especificamente as conclusões médicas do laudo pericial, que apontam choque circulatório e insuficiência respiratória causados pelas condições do procedimento.
Em sua defesa, o estabelecimento argumenta que Bruce e os outros dois cães da família já haviam passado por banhos no local em datas anteriores (25/06 e 09/07), utilizando a mesma máquina de secagem, sem qualquer intercorrência. A empresa ressalta ainda que o equipamento é “utilizado amplamente” no mercado e que a tutora “nunca manifestou nenhuma ressalva quanto à secagem na máquina ou qualquer problema de saúde do Pet”.
A nota foca também no tempo de permanência dos animais no local. Segundo a Cia do Tosador, o banho foi finalizado às 14h20 e a tutora foi notificada para a retirada às 14h34. A empresa alega que enviou uma nova mensagem às 15h18, mas que a proprietária só teria respondido às 16h38, chegando para buscar os animais após as 17h.
Por fim, o estabelecimento afirma que o local possui ar-condicionado próprio e visibilidade para o público, e que mantém tentativas de contato com a tutora para esclarecimentos.
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