
Quem visitar o Museu do Folclore Angela Savastano, em São José dos Campos, poderá conhecer de perto a cultura afro-brasileira na nova exposição “Fazeres Ancestrais: Adinkras e Fios de Contas”.
A mostra, que abriu no dia 6 de novembro, reúne 37 bordados inspirados na escrita Adinkra, sistema gráfico originário de Gana e Costa do Marfim, e quase 70 fios de contas que representam religiosidades de origem africana.
Todas as peças foram criadas por participantes da Roda de Fazeres, atividade semanal do museu que desde 2024 se dedica a pesquisar e produzir trabalhos manuais com base nessa herança cultural.
A exposição ocupa o corredor de acesso à Biblioteca Maria Amália Corrêa Giffoni e tem entrada gratuita.
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Iconografia que une África e Brasil
De acordo com a pesquisadora Maira Domingues, do Museu do Folclore, as obras mostram a força da iconografia afro-brasileira.
“As peças demonstram como essa produção é composta pela união de símbolos de diferentes origens étnicas africanas e representações, frutos da diversidade brasileira”, explica.
A escrita Adinkra é um dos sistemas gráficos mais complexos da África Ocidental, com origem no povo Akan e no Império Ashanti.
No Brasil, foi o artista e ativista Abdias Nascimento quem reintroduziu e valorizou esses símbolos por meio de suas pinturas e de sua atuação no Teatro Experimental do Negro e no Museu de Arte Negra.
Roda de Fazeres: mais que arte, um espaço de memória
A Roda de Fazeres é um projeto contínuo do museu, que acontece às quintas, das 14h às 16h, sem necessidade de inscrição.
Mais do que um grupo de artesanato, a atividade é um espaço de convívio e troca de saberes, onde participantes de diferentes idades e histórias se reúnem para criar, bordar e manter viva a memória ancestral.
Nos últimos dois anos, mais de 100 pessoas já participaram dos encontros. Atualmente, o grupo conta com 10 integrantes fixos.