
A Embraer alertou que pode enfrentar cancelamentos de pedidos e atrasos na produção caso as tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros sejam implementadas pelo presidente Donald Trump. A informação foi dada pelo CEO da companhia, Francisco Gomes Neto, em entrevista à Bloomberg Television, neste domingo (26), durante a cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), na Malásia.
Segundo Neto, as tarifas podem encarecer em até US$ 2 milhões o preço de cada aeronave e impactar US$ 80 milhões nos custos da empresa ainda neste ano — valor equivalente ao lucro líquido do segundo trimestre. O executivo destacou que a medida seria prejudicial também para a indústria norte-americana, já que a Embraer deixaria de adquirir equipamentos dos EUA.
Atualmente, a fabricante brasileira tem cerca de US$ 31 bilhões em pedidos — o maior volume em nove anos — e planeja investir US$ 500 milhões em uma nova linha de montagem nos Estados Unidos, que geraria 2.500 empregos, caso o governo norte-americano selecione o cargueiro militar KC-390.
Enquanto isso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está na Malásia tentando reverter o chamado tarifaço de 50% sobre importações brasileiras, imposto por Trump em julho. Em reunião neste domingo (26), Lula classificou o encontro com o norte-americano como “ótimo” e afirmou que as negociações seguirão “imediatamente” para buscar uma solução tanto para as tarifas quanto para as sanções contra autoridades brasileiras ligadas ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro.
De acordo com o Itamaraty, o chanceler Mauro Vieira informou que novas conversas entre as equipes dos dois países estão previstas ainda neste domingo, e uma reunião de negociação foi agendada para segunda-feira (27), às 8h (horário da Malásia).
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