
O mundo do vinho brasileiro está de luto. Carlos Cabral, uma das figuras mais respeitadas e queridas da enologia nacional, faleceu na segunda (13).
Especialista em vinho do Porto, ele dedicou sua vida à difusão da cultura do vinho e à valorização do patrimônio vinícola português no Brasil.
Cabral foi o fundador da Sociedade Brasileira dos Amigos do Vinho (SBAV) em 1980, uma iniciativa pioneira numa época em que o tema ainda engatinhava no país.
Por mais de 20 anos, atuou como consultor do Grupo Pão de Açúcar, onde criou programas de capacitação que ajudaram a formar uma nova geração de especialistas no varejo.
Cabral chegou a viajar com seus alunos, conhecidos como “Cabralzinhos”, para conhecer vinícolas da Europa.
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Legado literário e cultural
Como autor, Cabral deixou obras de referência como o “Dicionário Ilustrado do Vinho do Porto“, escrito em parceria com Manuel Pintão.
Seus livros se tornaram material essencial para quem quer se aprofundar no universo dos vinhos.
Mais do que um estudioso, Cabral era um verdadeiro embaixador do vinho do Porto no Brasil.
Mantinha uma relação profunda com a região do Douro em Portugal e seus produtores, viajando com frequência para o país e reunindo um acervo de garrafas, rótulos e materiais históricos. Parte desse acervo hoje integra exposições do Museu do Douro.
Pioneirismo
Num Brasil onde o vinho era pouco conhecido e apreciado, Carlos Cabral foi visionário.
Ele organizava confrarias e encontros de degustação décadas antes de a cultura do vinho se popularizar no país.
Uma das frases mais populares de Cabral destaca o afeto na hora de beber vinho: “O melhor vinho do mundo é aquele que tomamos ao lado de quem amamos“.
Seu trabalho ajudou a educar paladares e abrir caminho para o mercado enófilo que temos hoje.
Rodrigo Ferraz, do Vinhos de Bicicleta, falou sobre a perda de Cabral:
“Um gigante! Foi uma honra dividir a mesa e aprender com ele. Meus sentimentos aos familiares”.