
Os metalúrgicos da Embraer em São José dos Campos iniciaram nesta quarta-feira (17) uma greve por tempo indeterminado. A paralisação foi aprovada em assembleia realizada na entrada do primeiro turno da fábrica Ozires Silva, que emprega cerca de 12 mil trabalhadores, sendo metade deles na produção.
A mobilização ocorre no contexto da Campanha Salarial de 2025 e envolve principalmente a reivindicação de aumento real nos salários e manutenção de cláusulas históricas da convenção coletiva.
Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região, a categoria pede reajuste salarial de 11%, além de vale-alimentação de R$ 1 mil. Hoje, o benefício é de R$ 400, e a proposta da empresa é ampliar para R$ 420.
Outro ponto em debate é a estabilidade no emprego para trabalhadores afastados por doenças ou acidentes de trabalho. A última convenção coletiva, assinada em 2017, garantia estabilidade até a aposentadoria. A Embraer, no entanto, propõe reduzir para 21 meses (em caso de doença) e 60 meses (em caso de acidente).
De acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos, cerca de 6 mil trabalhadores da produção aderiram à greve, o que teria paralisado totalmente as atividades no setor. A Embraer, por sua vez, nega esse número e afirma que suas fábricas seguem operando normalmente em todo o Brasil.
O Sindicato também argumenta que a Embraer vive um período de forte crescimento. Apenas no primeiro trimestre de 2025, a companhia registrou lucro líquido de R$ 657 milhões, 58% superior ao mesmo período do ano passado. Nos últimos seis anos, segundo o presidente da empresa, Francisco Gomes Neto, as ações valorizaram 350%.
“Esta greve mostra o quanto os trabalhadores estão insatisfeitos com a política da Embraer. A fábrica está batendo recordes em lucratividade, receita e carteira de pedidos. Agora é hora de dividir esses resultados com quem está na produção”, afirma o diretor sindical Herbert Claros.
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Posição da Embraer
Em nota, a Embraer informou que “as fábricas da companhia operam normalmente em todo o Brasil” e que estranhou a ação do sindicato na manhã desta quarta-feira, alegando tentativa de cerceamento do direito de ir e vir dos trabalhadores.
A empresa destacou que as negociações da data-base estão em andamento com a Fiesp, que representa o setor aeronáutico, e afirmou que o Sindicato ainda não apresentou aos trabalhadores a proposta mais recente.
Segundo a Embraer, a nova oferta patronal inclui reajuste salarial de 5,5% — acima da inflação acumulada (INPC) de 5,05% — e aumento de 12,5% no vale-alimentação para funcionários com salários de até R$ 11 mil.
“As negociações no âmbito da Fiesp continuam em andamento com todos os sindicatos que representam os colaboradores no Estado de São Paulo”, diz a nota.
A greve segue sem prazo para terminar, enquanto novas rodadas de negociação são aguardadas.