
Começou nesta terça-feira (19) a Innovation Week 2025, no PIT (Parque de Inovação Tecnológica) de São José dos Campos. O evento segue até quinta-feira (21) com atividades das 9h até as 18h.
Gratuito e destinado ao público profissional e empresarial, o evento reúne startups, empresas consolidadas, investidores, pesquisadores e representantes do poder público. Em pauta: palestras, painéis, oficinas, rodadas de negócios e a tradicional feira de inovação com mais de 40 estandes.
Destaques do dia incluem o Prêmio Cabra de Ouro, com competições entre startups em estágio inicial, o Empreend’Elas, voltado ao protagonismo feminino, além do Pitch Reverso, onde grandes empresas apresentam desafios para que startups proponham soluções.
A “árvore líquida” de Antônio Mazza

Quem caminha pelos corredores dificilmente deixa de notar um recipiente transparente de cerca de três metros de altura, preenchido por um líquido esverdeado e adornado por folhas artificiais.
O equipamento chama a atenção à primeira vista, quase algo saído de “Admirável Novo Mundo’“de Aldous Huxley, e claro, perceptível ao olfato, já que o ar mais úmido e fresco, mas por trás do design está um projeto de descarbonização do ar.
A comparação com a obra de Huxley não é gratuita. Publicado em 1932, Admirável Mundo Novo descreve uma sociedade futurista em que a natureza e os processos orgânicos foram substituídos por soluções tecnológicas planejadas e controladas, desde a reprodução humana em laboratórios até mecanismos artificiais de condicionamento social.
A “árvore líquida” remete a esse mesmo imaginário: um equipamento que, em vez de depender de árvores naturais e do tempo de seu crescimento, concentra de forma sintética e eficiente a tarefa de reter carbono e liberar oxigênio.
O projeto foi desenvolvido por Antônio Mazza, da Life Service. No interior do reator, microalgas fotossintetizantes — como chlorella, spirulina, anabaena e scenedesmus — trabalham em conjunto para absorver CO₂ e liberar oxigênio.
Segundo o criador, as algas foram adaptadas para sobreviver em água de torneira, o que amplia a viabilidade de uso em diferentes ambientes.
Um painel no próprio totem indica em tempo real a quantidade de gás carbônico presente no ar e o quanto está sendo processado pelo equipamento. Mazza explica que a “árvore líquida” pode assumir formatos variados, desde estruturas grandes em praças públicas até versões menores que funcionam como mesas, paredes ou portas.
Graças ao uso de luzes artificiais, o sistema pode operar 24 horas por dia, sem depender da luz solar. Segundo o desenvolvedor, o equipamento pode ser até 20 vezes mais eficiente do que uma árvore natural, com capacidade equivalente a dez árvores convencionais por unidade.
Algumas dessas estruturas já foram instaladas em Campos do Jordão, formando o que ele descreve como a primeira “floresta líquida” do mundo, em um parque da cidade.
Ereone e o monitoramento inteligente

Outro estande que se diferencia parece saído de um recorte de “1984”, de George Orwell — mas é apenas um retrato da vida urbana atual. É o espaço da Ereone, empresa espanhola especializada em soluções de segurança e inteligência artificial.
No clássico publicado em 1949, Orwell imaginou uma sociedade vigiada permanentemente por câmeras e pelo chamado “Grande Irmão”, em que cada movimento era monitorado e registrado.
A lembrança é inevitável diante das soluções exibidas pela empresa, que envolvem câmeras com inteligência artificial capazes de reconhecimento facial, análise de comportamentos e monitoramento em tempo real.
A diferença é que são mais tecnológicas e preocupantes caso caiam nas mãos de pessoas erradas do que as do romance. Mas claro que elas são feitas para outras coisas.
As câmeras apresentadas pela companhia são equipadas com IA embarcada, capazes de realizar reconhecimento facial, detectar comportamentos suspeitos e monitorar o uso de equipamentos de proteção individual (EPIs).
Na prática, isso significa identificar automaticamente se um prestador de serviço está usando capacete ou botas, liberando ou restringindo o acesso conforme a regra.
A tecnologia também permite análises ergonômicas, como contabilizar quantas vezes um trabalhador levanta peso, correlacionando os dados a possíveis impactos de saúde. Os resultados podem ser acompanhados em relatórios e dashboards.
Além das câmeras, a empresa também trabalha com dispositivos IoT (Internet das Coisas), como pluviômetros que monitoram o nível de rios e emitem alertas preventivos — úteis tanto para indústrias quanto para cidades.
Rafaela Skodowski, projetista analista comercial da Ereone, destacou que a empresa foi responsável pela implantação do Centro de Segurança e Inteligência (CSI) de São José dos Campos, onde as câmeras de IA alimentam uma central de visualização de ocorrências, crimes e despachos.
Em outra frente, sensores da companhia já foram instalados em São Sebastião, em um estudo preliminar de monitoramento de encostas, visando prever movimentações de solo e disparar alarmes de risco.
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