Um macho e três femeas de bugio-ruivo (Alouatta guariba) foram encaminhados no fim de agosto a um viveiro em São Francisco Xavier, distrito de São José dos Campos. Neste pequeno grupo, biólogos depositam uma esperança sem tamanho de que possam ser, os quatro, responsáveis pela recuperação da espécie nas florestas da região.
O bugio-ruivo atualmente entra no preocupante e cada vez maior balaio das espécies em perigo de extinção, segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMbio). Por 45 dias, esses sobreviventes terão a rotina controlada por especialistas que os acompanham dia e noite e têm o trabalho de estimulá-los a interagir e formar vínculos até que se identifiquem como grupo e possam ser soltos de volta à natureza, dando continuidade ao ciclo da vida que lhes havia sido interrompido.
O macho Encantado, que reapareceu solitário no distrito, em área próxima a estradas e fiações elétricas, antes de ser enviado ao viveiro teve de ir para um centro especializado na capital paulista, onde recebeu cuidados e vacinas. Além das ameaças que são comuns à muitas espécies, entre elas a nossa, como o desmatamento e a fragmentação das florestas, desde 2008 os bugio-ruivos vêm sendo dizimados aos milhares em todo o país por surtos de febre-amarela, doença que age no organismo desses primatas como uma kryptonita e provocou uma limpa na região há cerca nove anos.
Sem risco de transmissão para humanos, eles são exclusivamente vítimas dos mesmos mosquitos transmissores que podem picar qualquer indivíduo atrás de sangue, rico em nutrientes. A melhor forma de prevenção para a população continua sendo a vacinação, especialmente para quem vive em áreas de mata e turistas.
A ação para reintrodução e reforço populacional dos bugios é pioneira na região e uma das quatro que vêm sendo tocadas atualmente no país, as outras na Serra da Cantareira, ao norte da capital, em Florianópolis (SC) e no Parque Nacional da Tijuca, no Rio de Janeiro.
A iniciativa é realizado pelo Projeto Primus, tem como instituição requerente a Associação Regenera Yama e conta com responsabilidade técnica da Fundação Florestal. A Prefeitura de São José dos Campos participa do conselho gestor. Também apoiam a iniciativa o MIB, o ICMBio, a Semil/SP, o Projeto Biota Coexiste/USP, o Projeto Jacutinga/SAVE Brasil e parceiros da iniciativa privada.
O Programa Primatas, criado em São José dos Campos em 2020, também participa do projeto, com ações de monitoramento, pesquisa, educação ambiental e sensibilização da população. O cronograma de atividades relacionadas ao bugio-ruivo segue até junho de 2027.
Sobre o bugio-ruivo
Os bugios-ruivos vivem principalmente nas copas das árvores e têm uma dieta folívera, ou seja, à base de folhas, apesar de consumir sazonalmente uma grande variedade de frutos (alguns deles exóticos, se estiverem ao alcance) e até flores.
Os indivíduos da espécie podem chegar a cerca de 75 centímetros de comprimento. Machos e fêmeas têm diferenças na aparência: os machos adultos costumam ser maiores e ter pelagem alaranjada ou ruiva, causada por alterações hormonais, e a barba mais evidente, enquanto as fêmeas apresentam pelos em tons de castanho e marrom.