
Alexandre Bastos, dono do canal Mutação Gamer, não é apenas um gamer. Ele tem uma vasta coleção histórica de consoles e jogos antigos, tendo em sua vitrine mais de 3 mil jogos, desde cartuchos até CDs, e mais de 200 videogames.
A paixão não é de agora, Alexandre coleciona desde 1998, uma época em que ainda não existiam tantos “colecionadores de videogames”.
“Quando eu comecei a colecionar, não tinha esse termo ainda de ”colecionador de videogame”, não era algo que se colecionava. As pessoas falavam em colecionar gibis, selos, quadros, mas nunca em videogames. Eu fiz parte de uma geração que começou essa cultura.”
Tudo mudou com um console pouco conhecido: o 3DO. Lançado em 1994, ele pegou o game já obsoleto. “Estava no final da vida útil. Comecei a garimpar jogos em locadoras e lojas, e foi ali que o colecionismo nasceu para mim.”
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Na busca por títulos como “Capitão Comando” (exclusivo japonês do PlayStation 1 que ele guarda com orgulho), deparou-se com um universo paralelo: consoles abandonados dos anos 70 e 80, como o Atari e o Mega Drive, então considerados “lixo ultrapassado“.
Era o auge da Feira do Rolo em Pindamonhangaba, onde se comprava “videogame de montes por quase nada“. Alexandre mergulhou nesse cenário: “As pessoas desfaziam fácil, jogavam no guarda-roupa. Peguei a época de ouro dos colecionadores”.

Os principais destaques da extensa coleção:
Dentre os mais de 200 consoles, os que mais se destacam são:
MagnaVox Odyssey (1971): O primeiro videogame da história, avaliado em mais de R$ 25 mil. “Quando o consegui através de um amigo colecionador, senti: ‘Posso parar aqui’. Foi como zerar a vida”.
Splice Vision: Clone brasileiro do ColecoVision e “único no mundo”. Tão raro que colecionadores já bateram à sua porta querendo comprá-lo a todo custo, mas, para ele, dinheiro é irrisório.
“Tem colecionador que tem essa rotatividade. Adquire um determinado item, fica com ele um tempo, depois vende. Ou às vezes vende parte da coleção, começa a colecionar outra coisa e tal. Mas eu não, eu não vendo nada. Pode ser a Mario World mais chulé que tiver lá, ele vai ficar na coleção a não ser que entre um item melhor.”
O entusiasta também possui um Pong inglês (1977) e um Cassete Vision (1978), o qual Alexandre ainda busca cartuchos perdidos.

De avô para pai, de pai para filho:
Dentre os tesouros de Alexandre, um item se destaca não pelo valor de mercado, mas por sua jornada emocional: o Dynavision, clone brasileiro do Atari 2600.
Nos anos 1980, o pai de Alexandre trouxe o console para casa. “Meus irmãos não ligavam pra games, então ele virou meu por afeto”.
O Dynavision, fabricado no Brasil sob a Lei de Reserva de Mercado – que restringia a entrada de produtos estrangeiros no país – foi seu portal para jogos como River Raid e Enduro.
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Em 1996, já com um Super Nintendo, Alexandre achou o Dynavision “ultrapassado”. “Dei para um primo em Cachoeira Paulista, com todos os jogos. Na época, colecionar nem passava pela minha cabeça”, lembra. O console desapareceu de sua vida.
Uma década depois, já sendo um colecionador, em visita à tia atrás do “primeiro grande amor gamer”, ela revelou que o console ainda estava no sótão de sua casa.
Revirando o cômodo, Alexandre encontrou o Dynavision intacto, coberto de poeira, mas funcionando, e com mais jogos que antes. Hoje, o console ocupa lugar sagrado na coleção.
“Liguei para meus filhos. Quando vi eles jogando River Raid no mesmo aparelho que usei na infância… foi mágico. Fechou um círculo. Isso é o que importa.“