Close Menu
    Sobre a spriomais
    • Institucional
    • Equipe
    • Contato
    Escute a rádio spriomais
    Facebook X (Twitter) Instagram YouTube LinkedIn WhatsApp
    • Institucional
    • Equipe
    • Contato
    Facebook X (Twitter) Instagram YouTube Spotify LinkedIn WhatsApp
    spriomais
    • Notícias
      • Cidades
      • Cultura
      • Especiais
      • Esporte
      • Geral
      • Made In Sanja
      • Meio Ambiente
      • Mulher
      • Polícia
      • Política
      • Tecnologia
      • Turismo
    • Colunas
      • + Arte na Cidade
      • Animais Ok
      • Berlim Esporte Clube
      • Código Fonte
      • Cozinha sem Chef
      • Curiocidades
      • Da janela do Helbor
      • ESG na Prática
      • Esquecimento Global
      • Fora do Cabide
      • Ofício das Palavras
      • Playlist de maestro
      • Todas as Claves
      • Viva
    • Podcast
    • Branded
    • Acontece spriomais
    • Publicidade Legal
    rádio
    spriomais


    Você está em:Início » Ana Maria Gonçalves: a fundação do tempo
    Cultura

    Ana Maria Gonçalves: a fundação do tempo

    Autor: Fabrício Correia11 de julho de 2025Nenhum comentário4 Minutos de Leitura
    WhatsApp Facebook Twitter LinkedIn Email
    Compartilhe
    Facebook Twitter LinkedIn WhatsApp Email Copy Link
    Ana Maria Gonçalves: a fundação do tempo
    Ana Maria Gonçalves (Créditos: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

    Há instantes na história institucional que não pertencem apenas ao presente. São aqueles em que o tempo, pressionado pela força dos fatos, se curva — e corrige.

    A eleição de Ana Maria Gonçalves para a cadeira nº 33 da Academia Brasileira de Letras, aos 128 anos da fundação da Casa, é desses momentos que ardem e purificam ao mesmo tempo. Não se trata de um gesto de reconhecimento. Trata-se de restituição.

    A ABL foi criada em 1897 por Machado de Assis, ele mesmo um homem negro, filho de um pintor de paredes e de uma lavadeira, nascido no morro do Livramento, no Rio de Janeiro.

    Apesar disso, por mais de um século, a instituição operou como se não lhe coubesse a tarefa de refletir o país real. Preferiu o verniz à substância, cultivando hereditariedade simbólica ao invés da pluralidade viva.

    No coração de uma nação miscigenada, a Casa das Letras espelhou os limites de uma elite que, mesmo culta, optou por ignorar os fundamentos mais profundos da cultura brasileira: a oralidade negra, a literatura periférica, os gestos narrativos ancestrais, a memória da dor como força criadora.

    É nesse contexto que a eleição de Ana Maria Gonçalves assume caráter inaugural, embora aconteça mais de um século depois.

    Autora de “Um defeito de cor”, romance que já entrou para a história como uma das maiores realizações literárias do século XXI, Ana Maria inaugura uma presença inédita — a de uma mulher negra no plenário da ABL — e reconcilia a instituição com a pulsação original de seu fundador.

    Leia mais: São José recebe nova edição do Revelando SP com shows de Renato Teixeira e Cezar & Paulinho

    Ela devolve à Casa o que ela renegou por tempo demais: o compromisso com a verdade da linguagem, a complexidade da história e a imensidão do Brasil.

    Seu romance, com mais de 900 páginas, é literatura de resistência, um tratado de humanidade escrito com a paciência dos grandes romancistas do século XIX e a contundência dos intelectuais negros do século XXI.

    Ao narrar a trajetória de Kehinde — menina arrancada do Reino do Daomé e trazida ao Brasil como mercadoria — constrói uma narrativa que desafia o apagamento histórico com método e beleza.

    É preciso dizer com todas as letras: nenhuma eleição recente para a ABL possui o peso histórico e simbólico que esta carrega. E não é apenas porque ela corrige uma ausência. Mas porque ela traz, consigo, um projeto literário que repensa o papel da ficção na reconstrução da memória nacional.

    Ana Maria Gonçalves representa uma geração de escritoras negras que não escrevem a partir da margem, mas a partir do centro que sempre lhes foi negado. Não reivindicam espaço: revelam que ele sempre existiu, apesar das portas.

    Quando a Portela desfilou “Um defeito de cor” na Sapucaí em 2024, o romance atravessou os limites da página e se transformou em cultura popular, em gesto coletivo.

    Agora, com a eleição de sua autora à ABL, essa travessia chega à instituição que por décadas se manteve distante das expressões mais profundas da brasilidade. É o reconhecimento da literatura como espaço de disputa simbólica, de formação crítica, de reencantamento do país.

    A Academia Brasileira de Letras, afirma — ainda que tardiamente — que a grande literatura brasileira é negra, feminina, insurgente e fundadora. E que, enquanto houver palavras escritas com precisão e coragem, haverá história a ser revista.

    Ana Maria não senta sozinha na cadeira 33. Com ela se sentam as mães que nunca tiveram lápis, as filhas que aprenderam a ler em silêncio, as avós que decoraram o mundo sem jamais terem sido lidas. Hoje, o tempo entrou na sala. E ficou de pé.


    Sobre o autor: Fabrício Correia é escritor, jornalista e professor universitário com especialização em Acessibilidade, Diversidade e Inclusão. Presidiu a Academia Joseense de Letras.

    academia brasileira de letras ana maria goncalves brasil cultura letras
    Compartilhe Facebook Twitter Pinterest LinkedIn WhatsApp Telegram Email Copy Link
    Notícias AnterioresFestival de Inverno do Vicentina Aranha inicia neste fim de semana, veja mais sobre os artistas
    Próxima Notícia Kinoplex Diamante promove experiência gastronômica e sessão de ‘Les Choses de La Vie’

    Notícias Relacionadas

    Taubaté define reposição de aulas após greve; recesso de julho será usado para recuperar dias letivos

    19 de junho de 2026

    Embraer fecha contrato de suporte e manutenção com a FAB para a frota de cargueiros KC-390 Millennium

    19 de junho de 2026

    Sheila Thomaz está na briga

    18 de junho de 2026
    Inscrever-se
    Acessar
    Notificar de
    Acessar para comentar
    0 Comentários
    mais antigos
    mais recentes Mais votado










    A spriomais é o primeiro portal jornalistico multidigital do Vale do Paraíba, com os principais acontecimentos da região, do Brasil e do mundo.

    email:
    jornalismo@spriomais.com.br

    Maior festival gastronômico do Vale do Paraíba, com 60 mil pessoas na edição de 2024, e que reúne os melhores restaurantes, bares e confeitarias de São José dos Campos.

    instagram:
    @mais_gastronomia
    email:
    comercial@spriomais.com.br

    O design elegante e as fotografias selecionadas reforçam a atmosfera gourmet do jornal impresso e digital do Grupo SP Rio Mais.
    Um convite ao leitor para desacelerar diante das páginas e perceber a informação como parte de uma experiência estética.

    email:
    comercial@spriomais.com.br 

    • Facebook
    • Twitter
    • Instagram
    • YouTube
    • LinkedIn
    • WhatsApp
    • Spotify
    © 2026 SPRIO SERVIÇOS DE COMUNICAÇÃO EIRELLI - spriomais 2025 © Todos os direitos reservados

    Escreva algo e precione Enter para buscar. Pressione Esc para cancelar.

    wpDiscuz
    Usamos cookies para garantir que oferecemos a melhor experiência em nosso site. Se continuar a usar este site, assumiremos que está satisfeito com ele.