
Essa é a última vez que trato deste assunto; depois, passo a régua…
Na últimas semanas, os prefeitos das duas principais cidades da região fizeram um balanço dos 100 primeiros dias de gestão, encararam entrevistas sobre o assunto e tiveram seus governos avaliados por pesquisas de opinião realizadas pelo OVALE/Ágili Pesquisas.
No geral, incluindo o resultado das pesquisas, o balanço foi bom. Anderson Farias (PSD), prefeito de São José dos Campos, teve sua gestão 2025 aprovada por 76% dos entrevistados, um patamar que repete praticamente os índices de 2024. Já a avaliação de Sérgio Victor (Novo), prefeito de Taubaté, em primeiro mandato, ficou na casa dos 69%, avaliação que, segundo análise do editor-chefe de OVALE , Guilhermo Codazzi, revela que Sérgio ainda mantém um crédito de confiança, herdado das urnas de outubro de 2024.
E agora?
Bem, repetindo o que já escrevi, esse é um balanço parcial, de 100 dias. Faltam mais 1.360 pela frente. E aí que mora o perigo.
Anderson e Sérgio têm inúmeros desafios pela frente, que vão definir o sucesso ou não de suas gestões. Anderson tem a vantagem de estar à frente de uma administração azeitada, mas seus desafios são imensos, indo, por exemplo, da implantação de um novo modelo de operação e gestão do transporte público municipal até uma melhoria necessária na rede pública de Saúde. Sérgio tem, entre tantos outros, o desafio de colocar a casa em ordem, pagar dívidas e manter a cidade funcionando, como merece o cidadão. São desafios grandes, nenhum dos dois vai ter vida fácil pela frente.
Nesse ponto, me vêm à mente um clássico de Monteiro Lobato, aliás, escritor nascido em Taubaté, bem pertinho da gente. A obra é “A Chave do Tamanho”, de 1942 e, nela, Emília, a boneca travessa, sempre ela, mexe, sem querer, na chave que regula o tamanho das coisas e faz todos os seres encolherem. Imagine só a confusão: gente do tamanho de uma formiga. É Lobato nos forçando, como seres humanos, a ver o mundo sobre outra perspectiva. No fim, tudo volta ao normal, mas com uma consequência benéfica: o fim da Segunda Guerra, um pesadelo que tirava o sono das pessoas naquele tempo.
Mas vamos ficar só no título da obra…
Hoje, com cento e poucos dias de gestão, Anderson e Sérgio têm em suas mãos a chave do tamanho de seus governos. Da posse até aqui, já deu para ter, por mínima que seja, uma ideia do que pode dar certo e do que pode vir a ser um problemão na gestão de cada um. Não é exagero, basta ter olhos para ver e ouvidos para ouvir. Com mais de 1.300 dias pela frente, dá tempo de recalcular a rota, ajustar a bússola e corrigir eventuais falhas de largada. Não é a hora? Ainda é cedo? Ora, dá para corrigir a rota sempre, daqui a alguns meses, um ano, dois, desde que haja compromisso e foco com o bem-estar do cidadão.
Essa é a chave do tamanho…
Para Anderson, isso significa melhorar ainda mais um governo que já tem 76% de aprovação. Para Sérgio, isso significa manter o crédito das urnas e, quem sabe, reforçá-lo. Não é fácil não, mas quem mandou querer ser prefeito? Lembrando o título de outra obra de Lobato, são tarefas tão difíceis quanto os 12 trabalhos de Hércules.
O que manter, o que mudar, quando mudar? Isso é com cada governo. Só não dá para ter compromisso com o erro.
Segue o baile…
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