
A cantora e compositora Cristina Buarque morreu neste domingo (20), aos 74 anos, vítima de complicações de um câncer.
A informação foi confirmada nas redes sociais por seu filho, Zeca Ferreira. Discreta e avessa aos holofotes, Cristina construiu uma trajetória sólida na música brasileira, com foco no samba e na valorização de compositores das escolas cariocas.
Filha do historiador Sérgio Buarque de Hollanda, Cristina era irmã dos músicos Chico Buarque, Miúcha e Ana de Hollanda. Ela vivia há alguns anos na Ilha de Paquetá, no Rio de Janeiro.
A família publicou uma homenagem emocionada nas redes sociais. “Ser humano mais íntegro que eu já conheci. Farol, chefia, braba, a dona da porra toda. Vai em paz, mãe”, diz a mensagem assinada pelos filhos Ana, Zeca, Paulo, Antônio e Piiizinha.
Sem escrever qualquer legenda, o irmão Chico Buarque publicou um vídeo no Instagram em que os dois aparecem cantando juntos a canção “Sem Fantasia”, composta por ele em 1975.
Lula e Portela lamentam
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) manifestou pesar pela morte de Cristina. Em nota, destacou o papel da artista na difusão do samba carioca.
“Teve um papel extraordinário na música brasileira ao interpretar as canções de alguns dos mais importantes compositores do samba carioca, ajudando a poesia e o ritmo dos morros do Rio a conquistarem os corações dos brasileiros.”
A Escola de Samba Portela também homenageou Cristina, lembrando sua relação próxima com a Velha Guarda e o trabalho de resgate de sambas históricos. “Cristina dedicou a vida ao samba e à música popular brasileira. (…) Deixa cinco filhos e um legado eterno”, afirmou a agremiação.
A carreira musical de Cristina Buarque
A estreia de Cristina na música foi ao lado do irmão Chico, em 1968, no disco “Chico Buarque Volume 3”, onde dividiram a faixa Sem Fantasia.
O primeiro álbum solo, “Cristina“, foi lançado em 1974 e incluiu Quantas Lágrimas, de Manacéa, além de composições de Cartola, Tom Jobim, Dona Ivone Lara e Nelson Cavaquinho.
Cristina se notabilizou por um trabalho minucioso de pesquisa e valorização do samba tradicional, gravando obras pouco conhecidas de autores como Candeia, João da Baiana e Geraldo Pereira. Em 1980, lançou “Vejo Amanhecer” e, no ano seguinte, outro disco homônimo com participações especiais de Clementina de Jesus e da Velha Guarda da Portela.
Ao longo das décadas, participou de homenagens e projetos coletivos como “Chico Buarque de Mangueira” (1998), “Acerto de Contas”, de Paulo Vanzolini (2002), e “Um Ser de Luz – Saudação a Clara Nunes” (2003).
Seu último grande projeto foi o espetáculo “Cristina Buarque e Terreiro Grande”, apresentado em 2007 em São Paulo.