
Um grupo de javalis foi flagrado por meio de câmeras de monitoramento, em uma propriedade no bairro Descoberto, em Monteiro Lobato. Os animais são considerados pragas agrícolas e ambientais.
O proprietário, Lincoln Delgado, conta que não é a primeira vez eles deixam rastros na vegetação de seu sítio, onde plantações de milho e de mandioca do caseiro já foram destruídas. A questão acende um alerta em todos da região.
“Outros proprietários rurais na Serra da Mantiqueira tem sofrido com isso e não há o que os enfrente. Eles não escolhem mais local, vão onde bem entendem e têm causado problemas em plantações de pessoas que fazem pequenas roças de milho, mandioca e abóbora.”
A presença de javalis representa uma ameaça, não só à produção agrícola, mas principalmente à fauna e a flora. O professor doutor Júlio César Voltolini, do curso de Ciências Biológicas da Unitau (Universidade de Taubaté) explica:
“Quando se entra em uma floresta onde passaram javalis, está tudo revirado, parece que passaram com arado no solo da floresta e ali não se vê plantas e nem sementes. Na Serra da Mantiqueira, eles deixam clareiras dentro das florestas, consequentemente, essas áreas passam a ter um desenvolvimento mais lento.”
De acordo com o especialista, os javalis são o resultado do cruzamento de porcos selvagens africanos – trazidos para a América do Sul para a caça esportiva – com porcos domésticos de fazendas.
Além de competirem com os porcos nativos, que são o cateto e o queixada, ambos nativos da Mata Atlântica, eles são invasores de áreas agrícolas e destroem florestas. Atualmente, a solução tem sido a busca pelo controle populacional dos javalis.
“O que se acredita é na possibilidade de captura e abate. Inclusive, o abate e o não aproveitamento da carne, pois estudos de mestrado e doutorado mostram evidências de que eles tem parasitas que podem ser extremamente prejudiciais à saúde humana”, afirma Voltolini.
Ele acrescenta que, existe ainda a necessidade de recuperar áreas degradadas pelos javalis, mas que até o momento, a discussão no país se mantém em torno da prevenção, controle e monitoramento.
A captura e o abate ocorre por meio de autorização do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis).
No ano passado, o Governo de São Paulo abriu um edital público para contratação do serviço de captura e abate de javalis, que invadiram cinco unidades de conservação no estado, dentre essas uma no Litoral Norte, em Ilhabela, onde há previsão de que pelo menos 200 javalis sejam abatidas.
Na última sexta-feira, 28 de março, ocorreu a abertura das propostas do pregão, que serão analisadas e após isso, será definido a empresa vencedora.
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