De 2012 para 2024, o eleitorado com deficiência em São José dos Campos não apenas cresceu, mas explodiu: passou de 790 para 5.762. O aumento chega a quase 630% nos últimos 12 anos, um dado colossal diante do número total de eleitores na cidade, que também expandiu, mas com muito menos expressão – apenas 18% no período.
Essa representatividade na votação, porém, dificilmente deve ser concretizada na eleição de candidatos que lutem pela acessibilidade, especialmente no Legislativo. “Seria leviano da minha parte dizer que, com essa quantidade, com certeza algum candidato que tem essa pauta seria eleito”, afirma Luis Daniel Morais, que anda de cadeira de rodas desde a infância.
Luis é jornalista, especialista em acessibilidade e trabalha com comunicação inclusiva em São José. Para ele, a eleição de um candidato exclusivamente pela temática da pessoa com deficiência só seria possível em dois casos: ou com um histórico denso de trabalhos voltados ao tema, ou com uma proposta inovadora, capaz de convencer a massa.
“O número de candidatos que levantam a bandeira da causa da pessoa com deficiência e da acessibilidade aumentou bastante nos últimos tempos, o que é muito positivo. Mas ainda não acredito que isso seja capaz de mudar o cenário político que temos no momento, onde a causa da pessoa com deficiência não é uma prioridade”, lamentou.

Mudanças em São José para melhorar acessibilidade
A Justiça Eleitoral diz que uma de suas preocupações é garantir que os locais de votação sejam livres de quaisquer barreiras arquitetônicas. Por isso, anunciou neste ano que 180.191 seções principais com acessibilidade estarão em funcionamento em todo o país.
Em São josé dos Campos, o Cartório Eleitoral informou que por volta de 19 mil eleitores tiveram seus locais de votação alterados. A mudança tem como objetivo justamente alocar os eleitores em lugares mais acessíveis, com instalações mais novas e menores, para facilitar a locomoção.
Os eleitores que antes votavam na Etep, no Jardim Esplanada, por exemplo, foram redistribuídos nos colégios Anglo e Poliedro, ambos a menos de 1 quilômetro de distância do centro universitário.
“Interessante observar que esses lugares de votação tinham estruturas antigas e concentravam um número grande de eleitores. Isso causava transtornos para atender o eleitor com deficiência, pois esses lugares muitas vezes não atendiam os requisitos de acessibilidade previstos em lei e precisava-se fazer muitas mudanças do local de votação, apenas para atender o eleitor com deficiência. Mas só quando a eleição acontecer é que vamos ter certeza se essa estratégia deu certo ou não”, disse Luis Daniel.
Recursos de acessibilidade na votação
Segundo o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), 418.220 eleitores com deficiências auditivas, visuais ou dificuldades no exercício do voto (cerca de 26% do eleitorado com deficiência) no país contarão com recursos de acessibilidade nas urnas eletrônicas.
Entre os recursos disponíveis estão a voz sintetizada “Letícia”, que orientará o processo de votação, fones de ouvido, teclas antiaderentes com alfabeto em Braille, além de tradução em Libras (Língua Brasileira de Sinais), feita por intérpretes exibidos no canto inferior da tela.