Como empresário apaixonado pelo meio ambiente e à frente da O2eco Tecnologia Ambiental, que se dedica a impactar positivamente o ecossistema, considero imprescindível refletir sobre a forma como tratamos nossa mais preciosa riqueza: a água.
No contexto do Dia Mundial da Água (22 de Março), é alarmante perceber a discrepância entre os investimentos maciços do governo brasileiro em áreas como a infraestrutura (cerca de R$215 Bi) e a atenção dedicada à preservação, mitigação e recuperação dos recursos ambientais (R$3,6 Bi), que frequentemente ficam relegados a um segundo plano.

Tomemos como exemplo o Parque Ibirapuera em São Paulo, um dos ícones verdes do país, cujo contrato de concessão surpreendentemente coloca em segundo plano a manutenção da qualidade da água de seu lago, o que ilustra a falta do olhar para o elemento vital para o equilíbrio do ecossistema do parque.
A recente pesquisa da Fundação SOS Mata Atlântica traz boas notícias sobre a qualidade da água nos rios da Mata Atlântica, porém modesta (na minha opinião) para a região onde reside a maior parte da população brasileira. O estudo revela uma melhoria progressiva, com 8% das análises em 2023 mostrando água de boa qualidade, em relação ao ano anterior.
No entanto, a predominância de água de qualidade “regular” em 77% dos pontos e a presença de água de qualidade ruim ou péssima em alguns locais sublinham a urgência contínua em esforços de preservação. O estudo, divulgado no Dia Mundial da Água, apresenta um panorama detalhado da qualidade hídrica nas bacias hidrográficas de um bioma específico, fundamentado em indicadores do Índice de Qualidade da Água (IQA).
Este relatório é fruto do esforço colaborativo de aproximadamente 2.700 voluntários participantes do programa Observando os Rios. Durante o intervalo de janeiro a dezembro de 2023, foram conduzidas 1.101 avaliações em 174 localidades distintas, abrangendo 129 rios e reservatórios em 80 cidades de 16 estados do bioma da Mata Atlântica, onde menos de 10% das áreas analisadas estão com qualidade boa. Esse estudo ressalta o papel vital da sociedade e dos gestores públicos na gestão sustentável dos recursos hídricos, especialmente em um momento de desafios climáticos acelerados.
A pesquisa destaca o engajamento necessário em políticas públicas e ações coletivas para salvaguardar os recursos hídricos, fundamentais para o futuro sustentável do Brasil e o bem-estar de sua população.
Contudo, há luz no fim do túnel
A análise da qualidade da água no Brasil revela melhorias significativas em diversos pontos, com 12 locais apresentando avanços e apenas quatro mostrando retrocessos. Entre os destaques positivos, os rios Mamanguape, na Paraíba, e o Ribeirão do Curral, em São Paulo, evoluíram de uma condição regular para boa.
O Rio Tietê, um famoso ator do cenário da capital paulista, marcando a fronteira entre São Paulo e Guarulhos, viu sua qualidade subir de ruim para regular, possivelmente beneficiando-se de novas infraestruturas de tratamento de esgoto através da SABESP que assumiu o tratamento de esgoto em Setembro de 2019.
Em Salto- SP, o Rio Jundiaí manteve seu status de qualidade boa por um período extenso, enquanto rios no sul do país, como o Brás em Santa Catarina e o Feitoria e Noque no Rio Grande do Sul, melhoraram de ruim para regular. Em contraste, áreas de preocupação incluem pontos no Rio Pinheiros e em outros locais em São Paulo, onde a qualidade da água foi classificada como péssima. Sendo que esse último, difere do últimos resultados apresentados pelo governo e testemunhos dos cidadãos da cidade, onde garantem uma melhoria muito significativa do rio Pinheiros.
Da mesma forma, o projeto na Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro, pela Águas do Rio, que trata os afluentes que deságuam na Lagoa, são testemunhos de que é possível reverter o cenário de degradação quando há comprometimento.
Resultados como os acima demonstram que a sinergia entre vontade política, engajamento empresarial e inovação tecnológica pode desempenhar um papel transformador na renovação dos nossos mananciais.
Essas ações ilustram que a preservação e a regeneração dos recursos hídricos devem ser prioridade. Como sociedade, precisamos reconhecer que a água não é apenas um recurso, mas a base da vida, e merece ser tratada com o máximo respeito e cuidado. A responsabilidade é coletiva: empresas, governos e cada cidadão têm um papel crucial na salvaguarda desse patrimônio vital para as presentes e futuras gerações. 🌎💧💚
Fonte: www.sosma.org.br e www.metropoles.com
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