Depois de passarem mais de 24 horas presos, os militantes José Dantas Sobrinho e Ederlando Carlos dos Santos foram soltos no final da tarde desta quarta-feira (4) por decisão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo.
Eles haviam sido detidos na terça (3) após participarem de greve na fábrica da Embraer em São José dos Campos sob alegação de “atentado contra a liberdade do trabalho”, segundo afirma o Sindicato dos Metalúrgicos.

Dantas é diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região, enquanto Ederlando é ativista do movimento Luta Popular. Os dois haviam sido encaminhados ao Centro de Detenção Provisória do Putim.
A decisão de soltar os militantes foi assinada pelo juiz Loureiro Sobrinho. Na decisão, o juiz argumenta que não há evidências de que a dupla representasse perigo à sociedade e destaca que a audiência de custódia não foi realizada dentro do prazo legal de 24 horas após a detenção.
Apesar da libertação, o sindicato afirmou que vai manter a campanha para evitar qualquer tipo de penalização judicial contra os ativistas.
O que motivou a prisão
Segundo o Sindmetal (Sindicato dos Metalúrgicos), a repressão policial começou logo no início da paralisação, na manhã de terça (3). A greve foi encerrada pouco mais de 3h depois de seu início porque policiais militares teriam forçado a entrada de trabalhadores na fábrica.
Durante a tarde, a intimidação policial continuou. Ainda de acordo com a associação, metalúrgicos do segundo turno da fábrica se mobilizaram durante o período de uma hora e entraram mais tarde para o trabalho. Esse protesto que acabou gerando a prisão de Dantas e Ederlando.
Sobre a greve na Embraer
Cerca de cinco mil funcionários cruzaram os braços em greve na manhã da última terça-feira (3) na fábrica da Embraer em São José dos Campos.
A paralisação é por aumento salarial e manutenção de direitos. De acordo com os trabalhadores, desde 2017 a companhia não concede um reajuste acima da inflação.
A companhia propôs um reajuste de 4,06% nos salários, mas a proposta foi recusada pelos trabalhadores. Segundo afirmou ao Portal SP RIO+, esse reajuste salarial, que corresponderia a 100% da inflação no período, foi concedido aos funcionários que recebem salários de até R$10 mil.
Já para os que recebem vencimentos acima desse valor, foi estabelecido um acréscimo fixo de R$ 406, conforme proposta apresentada pela Fiesp, que representa as empresas do setor.
As negociações entre Fiesp e entidades sindicais continuam.
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