Além da paralisação dos trabalhadores do Metrô de São Paulo, Sabesp e CPTM, que protestam contra os planos de privatização do governo estadual, trabalhadores da Embraer também entraram em greve na fábrica de São José dos Campos nesta terça-feira (3).
A companhia afirmou que a unidade Ozires Silva, assim como as demais sedes da empresa, está funcionando normalmente. No entanto, de acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos, a paralisação impacta toda a produção, que envolve aproximadamente cinco mil funcionários.

A greve é por tempo indeterminado e já havia sido ensaiada no final do mês de setembro. A decisão de paralisar as atividades veio após uma assembleia na manhã desta terça-feira (3), em que os metalúrgicos exigiam um aumento salarial que supere a taxa de inflação.
Os trabalhadores também reivindicam a manutenção de todos os direitos estabelecidos na Convenção Coletiva. Desde 2017, a Embraer não concedeu reajuste acima da inflação, o que coincide com o último ano em que a empresa assinou a convenção, impactando os direitos dos metalúrgicos no setor aeronáutico.
A companhia propôs um reajuste de 4,06% nos salários, o que foi recusado pelos funcionários, que buscam um aumento mais significativo. A condição imposta pela Embraer para a assinatura, porém, é a redução da estabilidade no emprego para os trabalhadores que foram vítimas de doenças ou acidentes ocupacionais.
Conforme relatado pelo sindicato, a empresa pretende reduzir a estabilidade no emprego para 21 meses em casos de doença ocupacional e para 60 meses em situações de acidentes de trabalho. Atualmente, a estabilidade nessas circunstâncias é garantida até a aposentadoria.
Posição da Embraer
Em nota, a Embraer afirmou que concedeu reajuste salarial acima da inflação aos trabalhadores que recebem salários de até R$ 10 mil e um fixo de R$ 406 para os que recebem salários superiores a esse valor. Veja o comunicado na íntegra:
“A Embraer, por liberalidade, já concedeu o reajuste salarial de 4,06% (que corresponde a 100% da inflação no período) aos colaboradores que recebem salários de até R$10 mil e um fixo de R$ 406,00 para remunerações acima desse valor, conforme proposta apresentada pela Fiesp, que representa as empresas do setor.
As negociações entre Fiesp e entidades sindicais continuam”.
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