Em resposta ao vídeo publicado pelo prefeito de São José dos Campos, Anderson Farias (PSD), dizendo que proíbe a realização da “Marcha da Maconha” na cidade, os organizadores do evento bateram de frente com o prefeito e garantiram que a marcha está mantida.
Por meio de nota, o coletivo organizador confirmou que o evento segue de pé no dia 7 de outubro e afirmou que a agenda é um direito constitucional assegurado pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

“A postagem do executivo causou surpresa e indignação aos organizadores do movimento, visto que a realização de marchas da maconha é um direito constitucional, assegurado pelo Supremo Tribunal Federal, desde 2011, de acordo com os julgamentos ADPF nº 187 e ADI nº 4274, em decisões unânimes e do qual pretendemos nos valer, realizando a marcha na data prevista”, diz trecho do comunicado.
Ainda segundo o texto, a marcha em São José terá o tema “Descriminaliza o pobre: Planta Legal, no SUS e no Quintal” e defende uma “nova política de drogas”, com o amplo acesso ao óleo extraído da cannabis para fins medicinais e terapêuticos.
Além disso, de acordo com os organizadores, o evento tem bandeiras que vão “muito além da legalização da maconha”, passando pela defesa da democracia e dos direitos humanos.
Confira a nota na íntegra:
“O coletivo organizador da Marcha da Maconha de São José dos Campos recebeu nesta sexta-feira, 25 de agosto, a informação via redes sociais, que o prefeito Anderson Farias quer proibir a realização da marcha joseense, prevista para o dia 7 de outubro, cujo tema será Descrimininaliza o Pobre: Planta Legal, no SUS e no Quintal. A postagem do executivo causou surpresa e indignação aos organizadores do movimento, visto que a realização de marchas da maconha é um direito constitucional, assegurado pelo Supremo Tribunal Federal, desde 2011, de acordo com os julgamentos ADPF nº 187 e ADI nº 4274, em decisões unânimes e do qual pretendemos nos valer, realizando a marcha na data prevista.
Além de um direito constitucional, a Marcha da Maconha é um movimento nacional. Nossas bandeiras vão muito além da legalização da maconha, inserindo-se na defesa da democracia e dos direitos humanos, e na construção de políticas públicas que superem os paradigmas proibicionistas vigentes. A dura proibição ao uso da maconha e a ampla liberalidade em relação ao álcool e ao cigarro trazem resultados nefastos para a vida de grande parte da população brasileira, atingindo de forma explícita as favelas, vilas, ocupações e periferias do país.
Marchamos por uma nova política de drogas, que estabeleça processos que impeçam os monopólios dos interesses do grande capital, que promovam uma reparação histórica dos povos atingidos historicamente pelas políticas proibicionistas, em novos horizontes de ação. Somos antiproibicionistas, anticapitalistas, antirracistas, anti-homofóbicos, contrários à intolerância religiosa e sobretudo lutamos por uma sociedade livre de opressões, violências e desigualdades sociais. A Marcha da Maconha engloba a defesa dos povos originários, das comunidades quilombolas, da juventude negra e periférica, do povo negro favelado, das pessoas egressas do sistema prisional, da manicomialização, do capacitismo e qualquer outra forma de violência.
Por fim, não mais importante, porém consolidado pela ciência, marchamos pelo amplo acesso ao óleo extraído da planta da Cannabis. O uso da maconha para fins medicinais e terapêuticos é hoje uma demanda dramática de milhares de pacientes, com potencial de beneficiar milhões de brasileiros na busca por saúde e qualidade de vida. É, portanto, uma pauta urgente para todos os que defendem os direitos humanos e, em especial, o direito à saúde. Sendo assim, o coletivo Marcha da Maconha reafirma sua intenção de marchar no dia sete pelas ruas centrais da cidade, convida a coletividade joseense a participar e se dispõe ao diálogo e ao debate. Vamos juntos enfrentar os problemas decorrentes da ignorância, da desinformação e das distorções promovidas por políticas proibicionistas que até hoje só produziram morte e violência”.
Acompanhe também: