Um de meus livros prediletos (título, formato, encadernação, cor, conteúdo) é A Maleta de Meu Pai, de Orhan Pamuk, Nobel de Literatura, 1977. São três discursos em que ele fala sobre o
processo criativo, o papel do escritor, o fascínio da literatura e claro, sobre o pai.

Dois anos antes de morrer, o pai entregou a ele uma maleta, com seus escritos e pediu, “Veja se encontra alguma coisa que possa usar. Depois que eu tiver partido, talvez você possa fazer uma seleção e publicar”. E a maleta foi para um canto da sala.
Durante muito tempo, Pamuk se questiona se deve (ou não) abri-la. Um medo de não gostar do conteúdo. Talvez um medo maior de descobrir a possibilidade de o pai ser um bom escritor. E ele divaga sobre o que é e o que faz um bom escritor.
Também passei pela mesma dúvida. Um dia, descobri em um caderninho com capa de couro, anotações de meu pai, durante os anos na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz. Guardei, novamente, o caderno e nunca mais o achei.
Também meu pai é o responsável por minha paixão por literatura. E por música. E pela escrita.
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A minha história começou com ele e será continuada por minha filha, há mais de dez anos sócia na Ofício das Palavras. Publicamos histórias, alegres, tristes, dramáticas, líricas, filosóficas, satíricas. Todos os tipos de histórias são bem- vindas.
Pamuk escreve:
“O escritor é uma pessoa que passa anos tentando descobrir com paciência um segundo ser dentro de si, e o mundo que o faz ser quem é: quando falo de escrever, o primeiro que me vem à mente não é um romance, um poema ou a tradição literária, mas uma pessoa que fecha a porta, senta-se diante da mesa e, sozinha, volta-se para dentro; cercada pelas suas sombras, constrói um mundo novo com as palavras.”
No Dia dos Pais, nosso desejo é que muitos filhos se descubram capazes de contar as histórias de seus pais. Com paciência e perseverança, talvez receba um prêmio e o dedique a seu pai, como fez Orhan Pamuk.
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