A Universidade Federal de Viçosa (UFV) deu início ao manejo dos saguis em São José dos Campos, após mais de um semestre de trabalho de campo para observação e identificação dos primatas.
Primeiramente, o objetivo é realizar capturas e esterilizações dos saguis alóctones, que são originários de outras regiões do país, assim como das espécies sagui-de-tufos-pretos e sagui-de-tufos-brancos.

A iniciativa tem como principal meta evitar o cruzamento desses animais com o sagui-da-serra-escuro, também conhecido como sagui-do-vale-do-paraíba, uma das espécies mais ameaçadas do mundo. O animal vive, principalmente, no Parque Natural Municipal Augusto Ruschi, onde se encontra uma população de aproximadamente 50 saguis-da-serra-escuros.
Todavia, a grande ameaça para estes animais é a presença de saguis exóticos no entorno do Parque, que costumam ser comprados ilegalmente, traficados e soltos nas matas, apresentando elevado potencial de competição por recursos e elevando risco de cruzamento com os saguis nativos, descaracterizando-os geneticamente.
Foram meses de levantamentos para localizar os animais na área da fazenda vizinha ao Parque. A esterilização dos saguis alóctones contribui para a conservação da espécie nativa presente na unidade de conservação.
O professor Fabiano Melo, da UFV, elogia os resultados do acordo com a Prefeitura, destacando que o município está na vanguarda da conservação de espécies, sendo uma das poucas cidades no Brasil que realiza esse trabalho de forma tão engajada.
Ele considera que esse esforço pode servir de exemplo para todo o país.
Parcerias estabelecidas
A iniciativa conta com parcerias importantes, como o Centro de Reabilitação de Animais Silvestres (Cras) da Univap (Universidade do Vale do Paraíba), cujos estudantes dos cursos de biologia e medicina veterinária acompanham as pesquisadoras nas atividades de campo.
A equipe médica veterinária do Cras será responsável pelas esterilizações dos saguis capturados, com a colaboração da UFV.
O projeto também conta com o apoio do projeto Ecomuseu, que tem promovido mutirões de limpeza nos locais onde vivem os saguis, além de ações de sensibilização nas comunidades próximas.
As pesquisadoras Fernanda Maria Neri e Milena Nogueira continuam o monitoramento da população de saguis-da-serra-escuro no Parque Alambari, na região leste, sendo este o grupo da espécie observado há mais tempo na cidade, sem estudos sistemáticos anteriores.
Participação local
Outra importante participação vem da população, com a colaboração de vários moradores que ajudaram a identificar mais de 60 saguis vivendo em diferentes bairros, isolados ou em grupos, em pequenos fragmentos de floresta próximos a córregos urbanos, quintais de residências e áreas de comércio.
As pesquisadoras têm interagido com a população e distribuído folhetos explicativos sobre a importância da conservação desses simpáticos primatas. Dessa maneira, a colaboração dos moradores resultou em avistamentos de saguis em várias outras áreas da cidade.
Os interessados em contribuir com informações podem fazê-lo pelo número: (12) 99618-3505. Mais detalhes estão disponíveis na página do Programa Primatas.
Além disso, a iniciativa representa um passo para a preservação e a conservação do sagui-da-serra-escuro, contribuindo para o equilíbrio da biodiversidade em São José.
Recomendações
Aliás, a Prefeitura afirma que ao avistar um sagui, a população deve seguir as recomendações:
- Tire uma foto ou faça um vídeo para ajudar os pesquisadores a identificar o sagui
- Nunca jogue lixo onde eles vivem
- Mantenha longe os cachorros e gatos
- Evite alimentar os saguis para que eles busquem nas matas os alimentos adequados à sua dieta
- Não solte fogos de artifício
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