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    Educação

    Aluna da Unitau é a única brasileira selecionada para curso de biologia na Costa Rica

    10 de junho de 2023Updated:5 de agosto de 2023Nenhum comentário8 Minutos de Leitura
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    Sonhar, tentar, sonhar mais e chegar lá. Esse foi o caminho que seguiu Julia Oliveira (23), aluna da Unitau (Universidade de Taubaté), para ser a única brasileira selecionada neste ano para um curso internacional de biologia na Costa Rica, na América Central.

    Embarcando nesta sexta-feira (10), a graduanda do 1° período de agronomia – também já formada em biologia – vai passar as próximas seis semanas realizando trabalhos de campo relacionados aos biomas de clima tropical no “Tropical Biology: An Ecological Approach“, oferecido pela Organization for Tropical Studies (OTS) e que terá início na próxima segunda (12).

    julia oliveira, aluna da unitau, em trabalho de campo com professor de biologia da universidade, julio cesar voltolini
    Aluna de agronomia da Unitau aprovada em curso na Costa Rica, Julia Oliveira, e seu orientador, o professor Julio Cesar Voltolini (Foto: Divulgação/Unitau)

    Considerado por muitos o melhor curso de campo em biomas de áreas tropicais, o projeto leva 20 alunos para florestas tropicais do país caribenho e tem a supervisão de renomadas autoridades da área.

    Criado há quase 60 anos, o curso utiliza um método de aprendizagem ativo para treinar ecologistas e biólogos evolucionários (que estudam a origem e a descendência das espécies) em um ambiente divertido, mas de pesquisas profundas.

    “Um dos cursos chave deles [OTS] é justamente esse da Costa Rica. É um curso extremamente afamado e o país é formado por unidades de conservação. Então é um local que preserva muito bem os biomas, a característica de cada ambiente. A gente tá tendo a oportunidade de conhecer um pouco dessas principais unidades de conservação… ‘La Selva’, ‘Palo Verde’, ‘Las Cruzes’ e outras mais”, contou Julia ao portal SP RIO+.

    Um berço de diversidade

    De acordo com a OTS, a escolha da Costa Rica como local dos trabalhos em campo está relacionada à sua diversidade de ecossistemas em um espaço geográfico pequeno, onde é possível encontrar desde florestas úmidas a secas, de alta à baixa elevação.

    O país conta ainda com três estações de pesquisa: a La Selva Research Station, a Las Cruces Research Station e a Palo Verde Research Station.  

    Em cada uma dessas unidades de pesquisa, os estudantes vão ter cerca de uma semana para desenvolver diferentes trabalhos, que variam de acordo com o pesquisador que irá receber os alunos.

    Considerando um panorama geral, os estudos estimulam o desenvolvimento da experiência do pensamento crítico, da análise de dados, comunicação científica, trabalho em equipe e outras habilidades.  

    As atividades consistem em diversos projetos simultâneos com exercícios tanto em grupo quanto individuais. Elas passam por todas as fases de uma pesquisa, desde a metodologia até a elaboração de hipóteses, análise de dados e produção de relatórios, que ao final serão apresentados.

    Para quem vê de longe, esses sete dias imersos em cada um dos destinos parecem até tempo suficiente para se organizar e dar conta do recado, mas Julia descreve bem a missão: “um intensivo de projetos sendo feito num período muito curto”.

    “Acredito que vou sair de lá conhecendo muito bem cada uma dessas unidades de conservação e tendo uma visão geral de como desenvolver uma pergunta científica, uma boa metodologia para estar analisando, coletar bem os dados, analisar bem os dados, vou ter um preparo geral de toda essa parte de metodologia científica”.

    Se um dia tem 24 horas, em pelo menos 15 delas, Julia e outros estudantes de diversas nacionalidades vão estar pesquisando em campo.

    “Essa versão do curso vai ser em inglês. Tô bem preparada para ir pra lá, tô bem confiante. Eu olho essa oportunidade que eu tô tendo como algo… olha, tenho nem palavras para descrever”.

    “BBB da ciência”

    Para o professor doutor Julio Cesar Voltolini, docente do curso de Ciências Biológicas da Unitau, é necessário muito controle emocional e compreensão para lidar com pessoas diferentes. E essa visão não foi feita sob uma análise superficial.

    O professor, que foi o orientador de Julia durante o processo, já participou do curso no passado e também já indicou outros dois alunos para o projeto.

    Ele destaca a importância da experiência interpessoal adquirida e do contato com pesquisadores de instituições de prestígio.

    “Tem que ser diplomático e saber guiar sua equipe, é um Big Brother da ciência. Além do contato com pesquisadores do Instituto Smithsonian, museus famosíssimos, Universidade da Flórida, Chicago”, explica.

    O caminho até a Costa Rica

    Terceira aluna da Unitau a participar do curso internacional na Costa Rica, Julia encarou a notícia de que foi selecionada como uma verdadeira surpresa. Isso porque a bióloga já havia tentado aplicar para a vaga antes, mas não conseguiu a aprovação.

    “Essa é a segunda vez que a gente está tentando. A primeira vez foi para o mesmo curso, mas na versão em espanhol. A gente tentou, mas infelizmente não consegui passar. Nem era para eu tentar de novo, já tinha até pensado em deixar para uma próxima, e ele [professor Voltolini] quem me incentivou a tentar esse curso que estou indo agora. Fiquei extremamente emocionada, muito feliz”, conta realizada.

    Julia fala muito em “a gente” e “nós” porque, apesar de viajar sozinha agora, teve a companhia do professor ao longo de toda a trajetória. Foi ele quem apresentou o curso para a então caloura em 2019, quando entrou na biologia, e quem se tornou um verdadeiro guia dentro da universidade.

    julia oliveira, aluna da unitau, em trabalho de campo com professor de biologia da universidade, julio cesar voltolini
    Julia tem o professor Voltolini como seu grande mestre na universidade (Foto: Arquivo pessoal)

    “Ele me preparou para como escrever um projeto, como analisar os dados, como pensar em perguntas, ele foi um mentor dentro da Unitau. Até me emociono, é um agradecimento gigante que devo a ele. Também gostaria de deixar meu agradecimento aos demais professores da biologia e da agronomia que estão me dando dicas e todo o apoio nesse processo”, enfatiza Julia.

    Mala pronta só com “o básico”

    Perguntar para Julia sobre sua expectativa para os aprendizados nas próximas semanas é saber que a resposta vai sair de um sorriso.

    Mesmo sem saber o que vai se passar, as previsões são as melhores.

    “Eu imagino algo, só que eu tenho certeza que lá vou me surpreender ainda mais. Tenho certeza que o contato com pessoas de universidades diferentes, com pesquisadores completamente diferentes. É algo surreal e só estando lá para conseguir sentir tudo isso. Quando eu voltar, pretendo ter uma bagagem tremenda de contatos, seja com alunos, professores, possíveis orientadores de mestrado e doutorado, vai ser surreal”.

    Na mala, uma daquelas mochilas cargueiras típicas de quem vai pro mato, a pesquisadora conta que leva o simples para o que a ocasião pede: calças de campo, capas de chuvas, computador, tablet, câmera, trena, cadernos e bandeirinhas para marcações. O verdadeiro material para um estudo dentro de uma unidade de conservação.

    Leia também: Unitau prepara exposição itinerante para alertar sobre golpes populares

    Como o tempo na Costa Rica vai ser cheio de atividades, o turismo vai ter que ficar para uma próxima. Os graduandos participantes devem ter poucos minutos entre as expedições para curtir as paisagens no país, explica a aluna com base no que ouviu das experiências do professor Voltolini.

    “Ele comentou que às vezes eles passavam por algumas cidadezinhas saindo de uma unidade de conservação e indo para a próxima. E aí os responsáveis pelo curso comentavam ‘olha, vocês têm 30 minutos para explorar o lugar’, então eles iam lá, aproveitavam e conheciam”.

    Apoio da família e saudade carregada

    Quando recebeu a notícia da seleção, o apoio em casa para a viagem foi imediato. A mãe, Edite, a tia, Rita, e a avó, Cléia, são as personagens principais por trás da história da estudante.

    A aventura pelo território costa-riquenho ainda não começou de fato, mas a saudade já aperta. Para quem fica, os ponteiros do relógio insistem em não ter pressa. Para Julia, por outro lado, podem correr além do esperado.

    “Minha família já está sentindo saudade, já está num preparo desde quando recebi a notícia, então… uns dois meses atrás já foi uma emoção. Minha mãe, minha tia, minha vó começaram a pensar ‘ai ela vai pra Costa Rica. Ai, meu Deus! Será que vai dar tudo certo?’. Vai ser uma saudade. Pra elas vai passar super lento, mas pra mim vai passar super rápido. Em breve vou voltar cheia de novidades, de fotos, de vídeos”, projeta a bióloga.

    Quando retornar em agosto, já no período de volta às aulas na Unitau, a ideia é ser uma nova profissional. A aluna de agronomia considera que, como pesquisadora, ocupa um estágio iniciante e diz que leva hoje uma série de dúvidas que a experiência no curso pode clarear.

    A expectativa para para daqui a mais ou menos um mês é enxergar, de volta no Brasil, uma Julia com mais ideias de atividades, mais ativa, mas acima de tudo pessoalmente também impactada.

    De qualquer maneira, o mais importante mesmo vai ser tirar o material de campo da mala e compartilhar toda a bagagem de volta com a mãe, a vó, a tia e o professor.

     

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