Mais que definir novos governantes, as eleições municipais de 2024 podem decretar o futuro de um partido, ao menos em um cenário regional.
A crise que vive o PSDB nacionalmente chegou há algum tempo no Vale do Paraíba e se intensificou após a saída do ex-prefeito de São José dos Campos, Felicio Ramuth, do partido.
No ano passado, Ramuth se filiou ao PSD, sigla pela qual foi eleito vice-governador de São Paulo ao lado de Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Sem grande participação no atual governo estadual e enfraquecido na região, os tucanos parecem vislumbrar que o pleito do ano que vem pode ser uma última cartada para conter o desmoronamento do partido.

Para o prefeito de Jacareí, Izaías Santana, a manutenção da sobrevida do PSDB na região passa exclusivamente por São José e depende de duas figuras: Emanuel Fernandes e Eduardo Cury. Ou de apenas de um deles, desde que saia com a vitória das urnas.
“Eles dois têm a grande responsabilidade de novamente ser a vitrine. Ou para ressurgir o PSDB com força a partir de uma candidatura em São José dos Campos ou através da indicação de um terceiro nome que representa esse novo momento que a sociedade brasileira está vivendo”, disse o prefeito em entrevista ao podcast Talk+ nesta segunda-feira (5).
Emanuel e Cury são Peessedebistas históricos e influentes tanto na região quanto fora dela.
Emanuel foi deputado federal por três mandatos (1996-1997, 2007-2011 e 2011-2015), secretário de Habitação em São Paulo (2005-2006), secretário de Planejamento e Desenvolvimento Regional do Estado de São Paulo (2011), além de prefeito de São José dos Campos duas vezes seguidas (1997-2000 e 2001-2004).
Considerado um pupilo do político, Cury tem carreira parecida. Em dois mandatos também ocupou a cadeira de deputado federal em Brasília (2015-2019 e 2019-2023) e foi o sucessor de Emanuel na Prefeitura de São José, sendo eleito em 2004 e depois reeleito em 2008.
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Ainda que o PSDB tenha tido influentes participações em diferentes cidades do Vale do Paraíba, Izaías considera que São José é “o berço do modelo tucano de governar”.
“Eu tenho certeza que a saída partirá de São José. Se São José apontar para o Vale uma direção segura, nós temos certeza do PSDB ainda sobreviver nesse processo eleitoral. Se São José não apresentar uma saída para o PSDB da região, nós vamos sofrer a maior perda de candidatos”.
Caso Cury ou Emanuel não se tornem uma realidade na Prefeitura de São José em 2025, um retorno do PSDB à uma posição de destaque na política regional só seria possível nas eleições municipais de 2028, reflete Izaías.
“Dificilmente nós teremos candidatos competitivos no PSDB. E os novos que ousarem sair candidatos pelo PSDB estariam dependentes de um acerto do partido no cenário estadual e nacional em 2026”, ponderou.
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A crise do PSDB
O movimento de Felicio Ramuth também levou outros nomes tucanos de relevância a também trocarem de sigla, um deles o do atual prefeito de São José, Anderson Farias, que também se filiou ao PSD.
Em outubro do ano passado, Ramuth pontuou em entrevista ao portal SP RIO+ cinco motivos que levaram o PSDB à crise. Entre eles estão a falta de renovação e as prévias do partido para as eleições presidenciais do ano passado.
Assista a última entrevista com Izaías Santana no Podcast Talk+
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