O governo Luis Inácio Lula da Silva (PT) convocou uma missão da Organização da Nações Unidas (ONU) para apurar os genocídios no país, com foco na situação dos povos indígenas, afrodescendentes e grupos e comunidades vulneráveis.
A assessora especial para Prevenção do Genocídio da ONU, Alice Wairimu Nderitu, chegou ao Brasil nesta terça-feira (2) em sua primeira visita oficial “para entender melhor os recentes acontecimentos no país”, informou a ONU.

Nos próximos dez dias, a assessora especial terá encontros com representantes de organizações da sociedade civil e comunidades indígenas, além de líderes dos Ministérios das Relações Exteriores, dos Direitos Humanos e da Cidadania, da Igualdade Racial e dos Povos Indígenas.
Ao final da missão, no dia 12, Alice participará de uma entrevista coletiva virtual no Rio de Janeiro.
Ataques em terra yanomami no final de semana
Após ataques registrados na Terra Indígena Yanomami, o governo federal enviou uma comitiva interministerial a Roraima nesta semana.
Segundo líderes indígenas, três yanomami foram baleados no último sábado (29). Uma das vítimas, um agente de saúde que atuava na comunidade, morreu no local.
A Polícia Federal (PF) informou em nota que enviou equipes ao território para investigar o ocorrido e interromper possíveis agressões em andamento.
Garimpeiros
Nesta segunda (1°), o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima confirmou a morte de quatro garimpeiros dentro da terra yanomami na noite de domingo (30) de abril.
Eles teriam reagido a uma incursão de agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
Um dos garimpeiros mortos era membro de uma facção criminosa com atuação nacional, que passou a ser um dos focos das ações de inteligência do governo federal na região.
Campanha #NãoAoÓdio
Em um vídeo recente da campanha global #NãoAoÓdio liderada pela ONU, Alice Wairimu Nderitu aparece destacando os perigos significativos decorrentes do aumento da propagação de discurso de ódio e informações falsas através de meios digitais e plataformas de mídia social.
“Devemos prestar atenção ao discurso de ódio. O que ele pode fazer. Sua capacidade de destruir completamente, sua capacidade de desumanizar completamente”, destacou.
“Todos sabemos que nenhuma criança nasce com ódio. O ódio é ensinado. Precisamos entender que nenhuma sociedade no mundo está imune ao discurso de ódio”, disse. “Quando um genocídio se desenrola, as pessoas visadas são pessoas comuns. E precisamos continuar prestando atenção específica às narrativas que passamos de uma geração para outra”, completou a assessora especial.
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