Uma pesquisa do Portal Cannabis & Saúde apontou uma alta de 342,3% na venda de produtos à base de cannabis, nas farmácias do Brasil, desde 2018.
Para se ter um noção, o aumento da receita de 2021 para 2022, foi de R$ 77.008.596,00.
Somente as prescrições médicas tiveram um crescimento de 487,8%, no ano passado.

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O estudo indica que de todas as especialidades médicas que prescreveram o uso de canabidiol, 33% eram neurologistas. Em seguida, psiquiatras (26%), geriatras (8%), pediatras (7%), clínicos gerais (5%) e ortopedistas (3%).
De acordo com o médico e parceiro da Associação de Apoio à Pesquisa e Pacientes de Cannabis Medicinal (Apepi), Tércio Sousa, esse aumento comprova a eficácia da substância em tratamentos de saúde.
“Os médicos que só tratam com alopatia muitas vezes não têm sucesso no tratamento e aí começam a perder o paciente para quem está usando a cannabis. A maior parte dos pacientes que hoje procura tratamento com cannabis são pessoas que já estão na luta contra, por exemplo, dor, espasmos e tremor de Parkinson já há muito tempo e não veem resultado”, disse.
No entanto, um dos maiores problemas é o alto custo para a produção dos compostos. Segundo o profissional, seria necessário mudar a legislação com a liberação do plantio nacional.
Cannabis: uso medicinal
O uso medicinal da cannabis tem sido estudado e debatido por muitos anos. As evidências sugerem que a substância pode ser eficaz no tratamento de condições como dor crônica, náusea e vômito associados à quimioterapia, espasticidade muscular em condições como esclerose múltipla e epilepsia.
O principal componente com propriedades medicinais é o canabidiol (CBD). O CBD não é psicoativo, o que significa que não causa os efeitos alucinógenos associados à maconha. Outro composto conhecido como tetrahidrocanabinol (THC) também tem propriedades medicinais, mas é psicoativo e pode causar efeitos colaterais indesejados.
A cannabis medicinal é geralmente usada em forma de óleo, cápsulas ou fumo, e sua prescrição e uso varia de acordo com as leis locais e regulamentos de saúde. É importante ressaltar que o uso deve ser supervisionado por um médico e não deve ser utilizado como substituto de tratamentos médicos convencionais sem a orientação adequada.
A planta contém mais de 100 compostos químicos conhecidos como canabinoides, dos quais o mais conhecido é o delta-9-tetrahidrocanabinol (THC). O THC é o principal composto que causa os efeitos psicoativos da cannabis, incluindo alterações de humor, percepção, pensamento e coordenação motora.
Produtos à base de cannabis nas farmácias
No Brasil, a venda de produtos à base de cannabis em farmácias foi legalizada em dezembro de 2019 pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). A resolução aprovada pela ANVISA permitiu a venda, desde que esses produtos tenham sido registrados na agência e atendam a determinadas regulamentações.
A venda é restrita a produtos com baixos teores de THC (menos de 0,2%) e altos teores de CBD, e somente pode ser realizada mediante prescrição médica. Ainda é necessário que o paciente obtenha uma autorização especial da ANVISA para importar produtos ou para que as farmácias possam fabricar produtos com cannabis.
Vale ressaltar que a legalização da venda no Brasil é restrita a uso medicinal e ainda há muitos debates sobre a legalização do uso recreativo da planta.
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