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    Cidades

    Escola em São José inunda e causa indignação de pais; Prefeitura faz obras de emergência

    7 de março de 2023Updated:7 de março de 2023Nenhum comentário9 Minutos de Leitura
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    A chuva que atingiu a região de São José dos Campos no último dia 28 de fevereiro, há exata uma semana, causou cenas fortes, com queda de árvores e diversos pontos de alagamento na cidade.

    Um desses pontos em que a água tomou conta foi o Cedin (Centro de Educação Infantil) Maria Aparecida Barbosa Pedrosa, no Jardim Telespark, zona norte do município.

    O problema, recorrente em dias de temporal segundo pais de alunos, tem sido acompanhado pela Prefeitura. No dia 2 de março, 48 horas após a ocorrência, a secretaria de Educação e Cidadania anunciou obras emergenciais de drenagem e reparos estruturais no local.

     

    interior da cedin maria aparecida barbosa pedrosa alagado após chuvas no último dia 28 de fevereiro
    (Foto: Arquivo pessoal)

     

    Vídeos gravados por pais na creche e fotos que circulam nas redes sociais e aplicativos de mensagens mostram o verdadeiro caos que se instalou após a passagem do último temporal.

    A foto acima mostra que a água molhou móveis como mesas e cadeiras, brinquedos e até mesmo tatames de borracha.

    O interior da escola ficou completamente alagado e o piso em diversas áreas quase não pôde ser visto, coberto por água misturada à terra.

    No vídeo abaixo, também notam-se vários gritos e choros das crianças com medo da enchente.

     

    https://spriomais.com.br/wp-content/uploads/2023/03/WhatsApp-Video-2023-03-07-at-14.14.20.mp4

    Reclamações de pais

    Segundo um pai de dois alunos matriculados na creche, que pediu para não ser identificado e aqui vamos chamar pelo nome fictício de Cláudio, uma funcionária da escola chegou a precisar de atendimento médico após cair no local na última terça (28), dia das fortes chuvas.

    O cenário visto, no entanto, não foi novidade. Segundo o mesmo pai, os temporais têm causado transtornos na escola desde o final do ano passado.

    “Veja bem, lá na parte do fundo fica a creche, hoje [no dia das fortes chuvas] as professoras correndo para tirar os bebês, além das bolsas e tudo mais. É um desespero”, disse aflito.

    A água, pelo que ele informa, costuma entrar por uma área verde aberta.

    Quando o volume de chuva é grande como foi o da última semana, o pai diz que a escola inclusive tem o hábito de fazer ligações aos responsáveis antes do término da aula para que busquem as crianças mais cedo, já que supostamente não teriam condições de continuar com as classes.

    O alagamento da escola em ocasiões assim, de acordo com Cláudio, é uma certeza. Funcionários da escola, no entanto, negam tanto as ligações quanto a frequência das inundações.

    “Eu sempre vou buscar meus filhos quando há chamados, além de ir mais cedo nesses dias de chuvas mais intensas. Depois do desastre no litoral sempre ficamos espertos”, destacou.

    Uma outra preocupação dos pais com seus filhos na creche, segundo o homem, é o morro aos fundos da unidade.

    Preocupados, ele diz que os responsáveis temem por um eventual deslizamento, descartado pela Prefeitura.

     

    arte com mapa da vista aérea da creche e o morro aos fundos da unidade
    (Foto: Google Street View)

     

    Cláudio relatou ainda que tomou a frente do problema por querer mudanças e afirmou que, apesar das reclamações serem recorrentes entre os pais, muitos têm receio de denunciar a situação.

    “Falei com alguns [pais] mas não querem fazer o que eu fiz [denunciar], ir lá e dizer. Eu tento sempre. Agora se for na escola tem areia, pedra, equipe de reforma. Antes não tinha”, desabafou.

    O que diz a escola

    A escola foi contatada pela reportagem da SP RIO+ em algumas ocasiões.

    Na primeira vez, na quarta (29), o atendimento sobre as reclamações dos pais foi feito por uma funcionária que também preferiu não se identificar.

    Ela informou que não poderia dar muitos detalhes sobre o caso, mas afirmou que o alagamento da semana passada foi um “caso à parte”, por conta da intensidade do temporal, e também negou que a creche tenha o costume de ligar para os pais buscarem os filhos antes do término das aulas por conta das chuvas.

    Em suas palavras, tal prática nunca aconteceu.

    A mulher também disse que a situação da unidade de ensino tem sido acompanhada pela Prefeitura desde dezembro de 2022, e que em janeiro deste ano foram iniciadas as primeiras obras para conter os problemas estruturais em dias de chuva.

    Segundo a funcionária, as chuvas da última quinta-feira (2), por outro lado, não causaram nenhum tipo de alagamento no local e a situação na creche permaneceu estável.

    No mesmo dia, a Prefeitura anunciou o início de trabalhos emergenciais de drenagem na escola e manutenções para resolver as falhas na estrutura.

    Por fim, a funcionária ainda confirmou o acidente com uma das colaboradoras da unidade no dia 28 de fevereiro, entretanto não informou o cargo e nem deu maiores detalhes sobre seu estado de saúde.

    A diretora

    Em um outro contato, falamos com a diretora da Escola, Leandra.

    Questionamos se a equipe de reportagem poderia ir até a creche verificar o estado do local e analisar de perto o cenário, mas fomos informados que apenas conseguiríamos acessar a parte externa da escola e necessitaríamos de uma autorização especial da secretaria de Educação e Cidadania para entrar na unidade.

    Assim como a funcionária, a diretora negou que a escola ligue para os pais buscarem os filhos mais cedo em dias de chuva e também classificou as chuvas no fim de fevereiro como um episódio em especial.

    Ela ainda relatou que não haviam sido constatados danos à estrutura ou materiais da creche após as chuvas intensas dos últimos dias.

    Secretaria de Educação

    O secretário de Educação, Jhonis Santos, procurado pela SP RIO+ para comentar sobre o caso durante evento da pasta no Paço Municipal nesta segunda-feira (6), disse que o mês de janeiro teve uma incidência de chuvas fora do comum, mas afirmou que a creche não possui um retrospecto de alagamentos causados por temporais.

    “A escola fica numa região que ao fundo dela fica uma colina. A gente acompanha a situação e o mês de janeiro foi um mês atípico, mas a escola não tinha o histórico de ter enchentes. Particularmente eu sei te dizer porque meu filho foi aluno da escola. Ele tem 17 anos e estudou 6 anos lá. Minha filha de onze anos estudou naquela escola, então eu conheço bem aquela realidade”, contou.

    De acordo com o secretário, no período de chuvas entre o final do ano passado e o início deste ano, foram registradas algumas ocorrências na unidade causadas pela entrada de água no local.

    Por conta disso, foram feitas obras de contingenciamento, com algumas muretas e prevenções no morro localizado atrás do colégio.

     

    colagem com fotos do morro localizado atrás da cedin maria aparecida barbosa pedroa.
    Áreas de encosta de morro aos fundos da Cedin Maria Aparecida Barbosa Pedrosa (Fotos: Google Street View)

     

    Além disso, a Prefeitura ainda fez a limpeza de todo o encanamento da creche e encomendou uma análise para a secretaria de Obras sobre o status da drenagem da escola.

    Jhonis contou que no dia do último temporal o diretor de Manutenção da Prefeitura estava finalizando os detalhes da obra de drenagem e presenciou o alagamento na unidade.

    “Agora está sendo feita uma ampliação da drenagem da escola e o escoramento de muros que tem ao fundo, porque tem um talude, para aumentar a resistência e a segurança”, explicou Jhonis.

    Nós lamentamos o ocorrido e no outro dia de manhã a escola estava pronta para em condições de ser utilizada, as aulas não foram interrompidas, mas a gente sabe do incômodo e desgaste para a comunidade. A gente pede a compreensão, estamos passando por um momento atípico de chuvas, mas acredito que com essa obra emergencial que está sendo feita, esse problema vai estar resolvido”, completou.

    Segundo o secretário, os trabalhos emergenciais de manutenção e reparo na creche, iniciados no dia 2 de março, devem ter uma evolução significativa dentro de um período de 30 dias.

    “É uma obra emergencial, então a gente precisa abrir as canaletas, abrir o sistema de drenagem da rua. Mas eu estimo que nos próximos 30 dias a gente já tenha uma situação bem diferente ali. A gente já fez a primeira parte, que são as saídas de água da escola, até porque pode continuar chovendo, e a gente não quer que volte a ter uma outra situação como essa”, garantiu.

    O responsável pela pasta explicou também sobre um procedimento que foi passado aos funcionários da creche para evitar maiores estragos nos dias de chuva.

    “Quando entra água, o pessoal já tem um trabalho preventivo, levanta móvel, levanta uma coisa ou outra, mas sempre tem uma perda de colchonete, materiais que não podem ser reaproveitados pela segurança das crianças. Mas já foi tudo trocado e providenciado material novo para colocar na escola”, informou.

    Quando questionado sobre a situação da funcionária que teria se acidentado no dia da enchente, Jhonis disse estar ciente do caso, garantiu que não há indícios de que tenha sido algo grave, mas não soube informar o estado atual de saúde da mulher.

    “A verdade ali é que a escola é gerida por uma entidade parceira nossa, então ela não é uma servidora pública. Quando acontece esse tipo de situação abre CAT (Comunicado de Acidente de Trabalho) e a entidade dá o tratamento. Então a gente tem acompanhado, mas não tem nenhuma informação de algo mais grave que tenha acontecido com a funcionária da entidade.

    Vereador engajado no caso

    O vereador Roberto Chagas (PL), conhecido por sua atuação zona norte de São José, demonstrou sua indignação com a situação da creche nas redes sociais e definiu o episódio do final de fevereiro como “inadmissível”.

    “Independentemente do volume da chuva, jamais nossas crianças poderiam ficar expostas e vulneráveis em uma creche. Imediatamente ao ocorrido, o vereador Roberto Chagas fez contato com a Secretária de Educação e cobrou uma solução definitiva, incluindo também o setor de Obras da Prefeitura”, escreveu o perfil do vereador na legenda do post.

     

    Ver essa foto no Instagram

     

    Uma publicação compartilhada por Roberto Chagas (@vereadorrobertochagas)

    Frente à situação, Roberto sugeriu que a Prefeitura remanejasse os alunos da Cedin Maria Aparecida Pedrosa Barbosa para outras creches na região até que as condições para as aulas no local estivessem melhores.

    A reportagem entrou em contato com o gabinete do vereador para saber mais detalhes da atuação de Roberto Chagas no caso, mas não obteve retorno até o momento.

     

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