O que para muitos pode ser um empecilho, para outros pode servir de motivação: vender no semáforo.
Foi assim que a confeiteira Paloma Regina, 28, de Pindamonhangaba, conseguiu realizar um sonho de criança e conheceu dois países: França e Israel.

Tudo começou em 2018, quanto ela contratou um pacote de viagens. Na ocasião, ela começou a pagar pelos serviços, mas por conta da pandemia, os planos foram adiados.
Quando foi em julho de 2022, a agência comunicou que o passeio aconteceria em agosto daquele mesmo ano e ela teria um mês para se preparar.
No entanto, Paloma não tinha ainda toda quantia necessária, mas teve a ideia de vender doces no semáforo para arrecadar o valor que precisava.
A empreendedora ficou 31 dias nas ruas. Cerca de 50 caixinhas de brigadeiro eram vendidas diariamente, em um período de 5 horas. Resultado disso: R$ 15.000 em docinhos.
Foi com esse dinheiro e mais algumas economias que a jovem viajou a Paris e outras cidades, como Belém, Jerusalém, Jericó e Jafa.
“Eu acho legal a gente reforçar essa ideia de vender na rua. Quando eu comecei, meus primeiros dias foram terríveis, eu morria de vergonha e eu até passei mal. Eu falei para o meu irmão me levar embora e que não eu queria mais, que não iria vender. Mas aí quando você tem um sonho, niguém vai realizar por você, então tinha que ser eu mesma”, disse a jovem.
Em entrevista à SP RIO+, a confeiteira contou que é movida por metas. Depois de ter realizado o sonho, ela comentou que quer conhecer outros lugares e já está planejando uma outra viagem para Portugal, Inglaterra e Holanda.
Agora, ela pretende ficar no semáforo por 50 dias e juntar novamente dinheiro para essa aventura.
“A gente não pode ficar parado. Eu tenho outras metas pessoais, como comprar um carro e um apartamento, que mais pra frente eu quero priorizar. Mas no momento, o que eu priorizo é fazer essas jornadas e sair viajando, eu quero conhecer vários países.”
Registros das vendas e da viagem
Fé
A Paloma conta que cresceu aprendendo sobre Deus, princípios e valores. Para ela, o que a move e dá forças para seguir é a própria fé.
Segundo ela, ter ido para Israel foi uma renovação da fé. “A sensação que eu tinha, era que encontraria Jesus andando por ali”.
Ela diz que um dos momentos mais esperados e marcantes de toda viagem foi o batismo no Rio Jordão.
“Pra mim foi incrível, uma emoção que nunca senti.”

Antes de realizar a viagem, ela foi muito criticada por estar vendendo seus produtos na rua. “Ouvi muito: Que humilhação, você não precisa disso, que vergonha”.
Mesmo assim, a jovem não desistiu.
“Quando se acredita em algo e tem um propósito por trás do que você faz, tudo vale a pena. Inclusive pra essa viagem, que era impossível aos olhos humanos ir. Não tinha condições nenhuma. Mas tinha fé, sabe? Foi o suficiente.”
História de vida: Docinhos D’ Lôma
O primeiro contato com a venda de doces foi aos 16 anos, quando Paloma ainda era adolescente. Na ocasião, ela vendia cones trufados para a mãe, mas depois de três anos resolveu ter o próprio negócio. Ela começou com os cones e depois foi se aprimorando em outras áreas.
O campeão das vendas é o brigadeiro, que inclusive faz de vários sabores e personalizados, como oreo, kitkat, ninho com nutella, confete e outros. No período de um ano, ela chegou a vender mais de 70 mil unidades.

A jovem também faz bolos simples e de aniversário, além de pudins.
Todas as produções são feitas unicamente por ela e aos finais de semana conta com a ajuda da mãe.
Ela comenta ainda que além dos clientes fixos, fez outros novos contatos a partir das vendas no semáforo e realiza entrega até em outras cidades.
Hoje, a Paloma também está com pontos de revenda e já está se planejando para a Páscoa, com a meta de vender 400 ovos no período.
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