O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) anunciou que o Governo de São Paulo irá restaurar duas séries de gravuras do artista judeu Gershon Knispel. Considerado um dos maiores representantes do Realismo Socialista nas artes plásticas, ele faleceu em 2018, aos 86 anos.
Fazem parte das restaurações diversas ilustrações do poema “A Cruzada das Crianças”, além de uma do livro “Estrela das cinzas”. As peças foram doadas ao Estado e serão expostas ao público após o restauro.
O processo de restauro das 42 obras inclui diversas etapas, como higienização, desinfecção dos suportes, desmonte das molduras, tratamento de clareamento, reparos nas folhas que apresentam problemas e montagem de conservação, presos com papel japonês e cola de amido modificado.

Sobre as obras
“A Cruzada das Crianças” reúne 24 obras e ilustra o poema do escritor Bertold Brecht, que narra a saga de crianças órfãs fugindo dos horrores da Segunda Guerra Mundial. Knispel recebeu o manuscrito do próprio Brecht em 1957 e publicou os desenhos pela primeira vez em 1962, ganhando o prêmio de livro ilustrado na 7ª Bienal de São Paulo.
Com 18 obras, “Estrela das cinzas” ilustra um trecho do livro de mesmo nome de K. Tsetnik, pseudônimo de Yehiel De-Nur, sobrevivente conhecido como o “Escritor do Holocausto”. O escritor propôs ao artista que ilustrasse o livro em 1966 e este encontro marcou profundamente a produção de Knispel sobre o Holocausto.
Gershon Knispel
Gerson Knispel nasceu na Alemanha e dividiu sua vida entre Israel, Palestina e Brasil.
Desde jovem engajou-se com o ideário socialista, tendo ingressado no Partido Comunista de Israel.
No Brasil, veio viver pela primeira vez em 1957, após vencer um concurso que decidiu o design da antena da emissora da antiga TV Tupi. Foi sua a proposta de adorná-la com padrões indígenas pré-coloniais.
Ainda no país, o Knispel conheceu o prestigiado arquiteto Oscar Niemayer, com quem desenvolveu longa amizade e parceria profissional.
Além disso, no país, o artista se envolveu profundamente no meio artístico e criou esculturas e murais em áreas públicas em diversas cidades.
Após o golpe militar, em 1964, Knispel fugiu do país e retornou a Haifa.
Até o fim da vida foi defensor da paz e da solução entre Israel e Palestina, além de crítico da direita israelense.
Faleceu no dia 7 de setembro de 2018, em Israel, aos 86 anos.