Depois da morte do Rei Pelé, em 29 de dezembro por conta de um câncer no cólon em estágio avançado, muito foi discutido sobre quais seriam as melhores maneiras de homenageá-lo e fazer com que seu legado continuasse vivo no futebol.
O presidente da Fifa, Gianni Infantino, por exemplo, pediu para que países associados à entidade em todo o mundo nomeassem ao menos um de seus estádios com o nome do ex-atacante da Seleção Brasileira.
Por sua vez, a ministra do Esporte, Ana Moser, sugeriu que escolas no brasil fossem batizadas com o nome do craque.

No Santos, clube pelo qual mais atuou e se tornou ídolo máximo, as ideias para homenagear o Rei foram várias. Até mesmo a aposentadoria da camisa 10 do alvinegro foi cogitada internamente, mas em seguida descartada.
Obviamente também surgiram sugestões das redes sociais vindas de fãs e torcedores que admiravam o ex-jogador. Uma delas é do arquiteto e designer paraense Adenirson Sandres Olivier Oliveira (33), conhecido por Adê, que redesenhou o escudo do clube e incluiu nele uma lembrança a Pelé de forma minimalista.
O designer transformou parte das tradicionais listras verticais pretas do emblema, no número 10, um dos principais símbolos relacionados a Pelé.
“A camisa 10 talvez seja nossa maior coroação. O futebol aprendeu com o Pelé que esse número é o mais importante no jogo”, explicou.

Torcedor do Remo (PA), ele teve o Santos presente em sua vida desde cedo por influência do pai, que é remista mas tem parte do coração cedida pro time paulista por conta de um costume local antigo de torcer também para times de fora do estado.
A ideia para a sugestão surgiu cerca de duas semanas após a morte do Rei. Vendo na internet outras propostas de mudanças no escudo do clube relacionadas a Pelé, decidiu criar a própria homenagem.
No entanto, diferente da maioria que encontrou, o designer pensava em fazer uma alteração leve e que se mantivesse fiel à versão original.
“O processo aconteceu primeiro na análise gráfica histórica de representações mínimas que identificasse o Pelé. O número 10, a coroa, a silhueta do soco no ar. Pelo significado e pela flexibilidade de uso, decidi usar o número 10, conseguindo encaixa-lo aproveitando as listras verticais presentes, de modo que a harmonia geral do escudo não sofresse muita variação”, contou.
Os feedbacks da arte foram divididos. Viralizando entre perfis nas redes sociais, claro que teve quem gostou da arte e quem não curtiu tanto assim, demonstrando um certo conservadorismo pela mudança.
Apesar de alguns contras, o paraense se diz feliz com o retorno de seu trabalho e afirmou ter recebido comentários positivos não apenas de santistas, como também de torcedores de diversas partes do Brasil.
“Gostei de ver torcedores de vários clubes do país elogiando a proposta, se preocupando com a necessidade do Peixe de criar uma grande e eterna homenagem. Muitas pessoas também relataram ser normalmente contrárias a ‘redesign’ de escudos, mas que nesse caso estavam a favor”.
“Talvez os comentários negativos, mas também construtivos, tenham sido na maioria dos santistas, o que acho bem normal pois são os verdadeiros ‘donos do clube’ e quem deve sofrer maiores impactos com qualquer proposta de mudança de símbolo do clube”, explicou sobre as opiniões que recebeu de torcedores do Santos, segundo ele os mais críticos.
A proposta de homenagem, até onde Adê soube, ainda não chegou a pessoas próximas de Pelé ou ligadas ao Santos.
Porém, o designer considera significativa a possibilidade de reconhecimento de quem é diretamente envolvido com o time.
“Seria legal um reconhecimento do clube pelo trabalho feito, não somente meu, mas de no futuro existir algum memorial do clube com as várias homenagens criadas pro maior jogador de todos os tempos”.
