Novo presidente do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), Ricardo Galvão assumiu o cargo com promessas para a ciência voltar a ter o “protagonismo que merece” no país e receber aumento de verbas.
Professor de física da USP, no ano passado ele se filiou ao partido Rede Sustentabilidade para concorrer ao cargo de deputado federal nas eleições. Apesar de não ter sido eleito, Galvão foi convidado a fazer parte da equipe de transição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Após o anúncio oficial nesta terça-feira (17), a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, classificou Galvão como uma “pedra fundamental” no desenvolvimento científico brasileiro e afirmou que a escolha pelo pesquisador representa que a ciência “voltou a ter vez” no país.
A nomeação de @ricardogalvaosp para a Presidência do CNPq – pedra fundamental do desenvolvimento científico do nosso País é a tradução da mensagem clara q queremos transmitir à sociedade brasileira: a ciência voltou a ter vez neste País.
— Luciana Santos (@lucianasantos) January 17, 2023
A ministra também criticou a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na promoção e desenvolvimento da ciência e pesquisa.
“Nos últimos 4 anos, estudos e pesquisas foram paralisados; laboratórios, institutos e universidades, sucateados; pesquisadores, afastados e perseguidos; e tudo de mais sério em desenvolvimento no setor foi estrangulado, sufocado”, publicou Luciana em sua conta do Twitter.
Direção do Inpe e atrito com Bolsonaro
Galvão também foi diretor do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) entre 2016 e 2019, quando acabou demitido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que acusava o órgão de mentir sobre dados queapontavam a alta do desmatamento na Amazônia.
Bolsonaro havia dito na época que não acreditava no aumento do desmatamento na Amazônia e que suspeitava que Galvão estava “a serviço de alguma ONG”. A partir daí, os dois então entraram em conflito, que acabou com a exoneração do professor.
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Bolsas e investimento
Em entrevista à TV Vanguarda nesta terça-feira (17), Galvão explicou que parte da PEC da Transição será usada para aumentar o orçamento do CNPq. Segundo o professor, o orçamento para a instituiçãoque foi definido durante o governo Bolsonaro e é insuficiente.
Além disso, o novo presidente do CNPq anunciou que haverá aumento no valor das bolsas de pós-graduação ofertadas no Brasil, que não recebem reajuste há quase 10 anos.