Cerca de metade da população mundial vive em risco constante de contrair algum vírus da dengue.
No verão brasileiro, as chances de contaminação com o vírus são ainda maiores por conta das chuvas intensas do período. Elas permitem condições propícias para a proliferação do mosquito Aedes aegypti, vetor da dengue, que precisa de água limpa para completar seu ciclo reprodutivo.

A doença se manifesta de forma leve ou assintomática na maioria dos casos, mas uma em cada 20 pessoas pode desenvolver a forma grave, também chamada de dengue hemorrágica, segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos.
O risco ainda se intensifica quando a pessoa sofre uma segunda infecção, o que pode ocorrer devido à existência de quatro subtipos do vírus (DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4).
Os sintomas mais comuns da doença são febre alta, manchas vermelhas pelo corpo, dor ao redor dos olhos e dores musculares e nas articulações.
Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), o paciente pode entrar na chamada fase crítica da doença depois de três a sete dias do início dos sintomas, quando a febre começa a baixar. Nesse momento, sinais da dengue grave podem se manifestar:
– dor abdominal intensa
– vômito persistente, às vezes com sangue
– sangramento nas gengivas ou nariz
– dificuldade respiratória
– confusão mental
– fadiga
– aumento do fígado
– queda da pressão arterial
– sangue nas fezes
Caso o infectado apresente esses sintomas, deve procurar atendimento médico imediatamente, já que as próximas 24 a 48 horas são determinantes para evitar complicações e morte.
Os países da Ásia e da América Latina são os mais afetados pela dengue hemorrágica, que se tornou uma das principais causas de hospitalização e morte entre crianças e adultos nessas regiões, aponta a OMS.
Em 2019, foram registrados 3,1 milhões de casos de dengue na América Latina, sendo 28 mil graves, e 1.534 mortes.
Tratamento
Como não existe uma terapia específica para a dengue, o tratamento é feito com base em hidratação e remédios como paracetamol para controlar os sintomas.
Anti-inflamatórios não esteroides, como ibuprofeno e aspirina, devem ser evitados pelos infectados com a doença, já que eles afinam o sangue e aumentam o risco de hemorragias.
Prevenção
O Instituto Butantan está desenvolvendo uma vacina tetravalente contra a dengue, que deve ser capaz de proteger contra os quatro subtipos da doença. O imunizante está na fase 3 de ensaios clínicos e os resultados primários mostraram 79,6% de eficácia.
Uma vacina contra a dengue já existe no Brasil, mas só está disponível no setor privado e só é indicada para pessoas que contraíram a doença. Além disso, o imunizante exige três doses, aplicadas com intervalos de seis meses.
O controle dos vetores também é uma importante forma de prevenção, que deve ser mantida mesmo com uma futura vacinação da população.
Para evitar a proliferação do mosquito Aedes aegypti, deve-se evitar o acúmulo de água parada em locais que podem se tornar criadouros, como vasos de plantas, pneus, garrafas plásticas, piscinas sem uso e sem manutenção etc.
O uso de repelentes, inseticidas e larvicidas e a aplicação de telas em janelas e portas são outras medidas eficazes.
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