Foto: Instituto Butantan
A vacina tetravalente contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan está na reta final de pesquisa e agora aguarda a análise de uma comissão formada por cientistas brasileiros e estrangeiros, após envio dos dados obtidos na fase 3.
Nesta fase, iniciada em 2016, a vacina passou a ser aplicada em voluntários para avaliar a eficácia do imunizante – ou seja, a capacidade de evitar a infecção no grupo que foi de fato vacinado, em comparação ao grupo que recebeu placebo. Cerca de 17 mil pessoas participaram do processo e devem ser acompanhadas por um período de cinco anos.
Quando os dados retornarem da análise, os pesquisadores do instituto produzirão relatórios que serão encaminhados para a avaliação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), que aprovará ou não o uso da vacina.
A provação e distribuição do imunizante, previstas para serem feitas através do PNI (Programa Nacional de Imunizações), podem durar aproximadamente dois anos. Se validada, a vacina deverá ser disponibilizada no SUS.
De acordo com o instituto, a vacina se mostrou “segura e imunogênica” nas fases anteriores dos ensaios clínicos. O desenvolvimento já se estende por mais de dez anos e tem origem em uma parceria com o NIADI (Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos) – responsável por atenuar os quatro tipos de vírus da dengue e enviá-los ao Butantan para a produção do imunizante.
Proteção contra dengue
Quando uma pessoa é infectada por um tipo de vírus da dengue, ela cria anticorpos contra aquele vírus, mas continua sem proteção contra os outros três. Caso ela seja reinfectada por um dos outros tipos, a chance de desenvolver uma doença grave é maior, por isso é essencial que a vacina proteja contra as quatro cepas.
“Os anticorpos que foram produzidos anteriormente, em vez de neutralizar o novo vírus, acabam potencializando a sua replicação, levando a uma piora do quadro”, explica Neuza Frazatti Gallina, gerente de projetos do Laboratório de Desenvolvimento de Vacinas Virais do Butantan. Os sintomas graves podem incluir fortes dores abdominais, vômitos, sangramentos e tontura.
O Brasil já possui hoje uma vacina contra a dengue aprovada pela Anvisa e disponibilizada na rede privada. No entanto, os estudos clínicos indicaram que ela não é recomendada para pessoas que nunca tiveram dengue, pois ela pode agravar uma futura infecção nesse público, conforme informado pela agência regulatória.
Segundo o Butantan, a Vacina produzida pelo instituto já mostrou proteção tanto para quem nunca teve dengue como para aqueles que já tiveram, e deve proteger contra os quatro subtipos da doença.