
Em tom de análise, o deputado federal Eduardo Cury (PSDB), que não conseguiu se reeleger, disse que acredita em uma possível fusão do PSDB com o PSD ou outro partido em 2023, caso os tucanos não consigam eleger governadores suficientes no segundo turno deste ano. A declaração foi feita em entrevista à SP RIO+ nesta quinta-feira (13).
A entrevista na íntegra está disponível ao final desta matéria, no YouTube e no Spotify.
Marcado para o dia 30 de outubro, o segundo turno para governador contará com 4 representes do partido tucano: Eduardo Riedel (Mato Grosso do Sul), Pedro Cunha Lima (Paraíba), Raquel Lyra (Pernambuco) e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul).
“Se o PSDB não fizer os governadores, eu acredito que ele vá para uma fusão. Porque vai ser muito difícil ficar com 13 a 18 deputados na federação, onde você vai confrontar o centrão com 250, mais ou menos, e o PT com 130. Se eleger os governadores e eles começarem a apresentar um projeto nacional, aí talvez você consiga, inclusive, atrair novos quadros”, analisou Cury.
Liberdade partidária
Segundo o ex-prefeito de São José dos Campos, a maioria dos partidos brasileiros existentes hoje não dão liberdade para seus parlamentares atuarem conforme suas próprias escolhas.
“Com todo respeito, todos os partidos são uma porcaria hoje. Você não tem um partido, por exemplo, que dê liberdade para mim, Eduardo Cury, pregar o que eu acredito sem ter um chefe, um dono mandando fazer. O meu partido, por pior que seja, eu sempre tive a liberdade de defender o que eu quisesse e votar da forma que eu queria”, disse.
Sobre uma possível mudança de partido, Cury manteve o tom de mistério, mas admitiu que recebeu diversos convites, como o PSD, cujo presidente é o ex-prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, e que está filiado seu antigo colega de partido, Felicio Ramuth.
“Fico lisonjeado. O PSD foi muito carinhoso comigo. Não tenho absolutamente nada para falar do partido do Felicio. Tenho grandes amigos lá, já tinha grandes antes do Felicio ir. Mas o deputado tem fidelidade partidária. Você não pode ficar mudando de partido”.
De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), só podem usufruir da janela partidária o parlamentar eleito que estiver no término do mandato.
“Quem disputa um cargo executivo – prefeito, governador e presidente – pode mudar de partido quantas vezes quiser. Já o legislativo – vereador e deputado – você é obrigado a ficar 4 anos no partido. A lógica é porque, na verdade, o voto é proporcional. As pessoas acham que estão votando no candidato, mas estão votando no partido”, explicou Cury.
Reconstrução do PSDB
Ainda durante a entrevista à SP RIO+, Eduardo Cury disse que a reconstrução do PSDB e de outros partidos que se enfraqueceram neste ano dependerá de seus posicionamentos nacionais.
“PSD saiu muito bem dessa eleição. Sai bem nacionalmente e em São Paulo também. O PSDB sai mal, um desastre em São Paulo. Pode recuperar em outro estado. Em relação ao posicionamento dos partidos, o projeto dos partidos, nós vamos ter que aguardar o resultado da eleição e avaliar daqui a dois anos”, analisou.
Futuro na política
Eduardo Cury também comentou o que pretende fazer em 2023, já que seu mandato como deputado federal acaba no dia 31 de janeiro.
O parlamentar não conseguiu se reeleger nas eleições do dia 2 de outubro.
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