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    Varíola dos Macacos: nome incorreto para surto que não é culpa dos primatas

    30 de julho de 2022Nenhum comentário3 Minutos de Leitura
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    Os primatas não humanos do Brasil (saguis, micos e bugios, por exemplo) nada têm a ver com a Varíola dos Macacos. Na verdade, nem os macacos da África, onde o vírus foi inicialmente detectado por seres humanos intrusos, são os únicos reservatórios do vírus no mundo.

    O poxvírus deste surto de varíola é encontrado em roedores e esquilos, além de outras espécies. Mas o nome mais popular pegou (Varíola dos Macacos) e representa um risco para as espécies, uma vez que pessoas podem maltratar os animais, até feri-los e matá-los por pura ignorância.

    Desenho 3D de células virais
    (Foto: Freepik)

    Eles nada têm a ver com o problema. Situações como estas ocorreram, por exemplo, no recente surto de Febre Amarela no Brasil, uma doença transmitida por mosquito, mas capaz de atingir humanos e macacos.

    A história da chamada Varíola dos Macacos tem início em 1958 quando seres humanos capturaram e levaram macacos do Congo para a Dinamarca, e lá observaram a ocorrência da doença.

    A cientista Viviane Bottosso, diretora do Laboratório de Virologia do Instituto Butantan, afirma, em entrevista publicada no site da instituição, que o termo varíola dos macacos não reflete a origem do vírus.

    “Não é correto falarmos varíola dos macacos. Esse foi o nome que ficou conhecido popularmente, porque o vírus foi detectado inicialmente em macacos que foram exportados da África para a Dinamarca e a doença foi verificada e identificada neles como um poxvírus. Porém, se sabe que roedores adquirem a doença”, afirma a virologista.

    Portanto, trata-se de uma zoonose (doença que pode ser transmitida de animais para os humanos), que envolve várias espécies, como ocorre na origem de outras patologias, e cuja transmissão atual é principalmente entre humanos.

    O vírus do atual surto é da família Poxviridae, do gênero Orthopoxvirus, as mesmas classificações do vírus da varíola humana. Mas a doença atual é clinicamente menos grave do que a varíola humana que fez milhões de vítimas em todo o mundo nos últimos séculos.

    Na sexta-feira, dia 29 de julho, o Ministério da Saúde informou a morte de um homem, em Minas Gerais, vítima do surto atual.

    No mundo inteiro, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) são cinco mortes. A OMS declarou neste mês de julho a Varíola dos Macacos como “emergência de saúde global”, chamando a atenção dos governantes para o rápido aumento do número de casos.

    A varíola humana foi considerada erradicada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 1980, graças às vacinas.

    Foi o médico inglês Edward Jenner que desenvolveu a vacina no século 18 ao perceber que mulheres que ordenhavam vacas (rebanho que tinha uma versão mais branda de varíola), não contraíam a versão mais perigosa, que era a varíola humana. As mulheres ganhavam certa imunidade para o vírus mais fatal ao terem contato com uma versão menos agressiva.

    A Varíola dos Macacos é considerada endêmica em países da África, além do Congo, Camarões, Costa do Marfim e Nigéria.

    Já há vacinas no Reino Unido, Espanha, Estados Unidos e Canadá para  a prevenção desta doença viral, mas ainda não há previsão para a produção em larga escala suficiente para a vacinação de populações de diversos países.

    * A opinião dos nossos colunistas não reflete necessariamente a visão do portal spriomais.

    Ricardo Osman

    Ricardo Osman

    Nascido no Rio de Janeiro, Ricardo é formado em Comunicação Social pela UFRJ e em Medicina Veterinária pela FMU, em São Paulo. Autor de livro sobre uma vira-lata (Estrela e o Quarteto Mágico), também mestre em Saúde e Bem-Estar Animal.
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