
Rio Paraíba do Sul, que dá nome à nossa região metropolitana – Foto: Divulgação/CETESB
Embora o Vale do Paraíba seja majoritariamente conhecido por sua importância tecnológica e industrial, a região é muito rica ecologicamente. Favorecido pelo Rio Paraíba do Sul, um dos mais importantes do país, o complexo possui reservas naturais e redutos de Mata Atlântica.
Em entrevista à SP RIO+, o diretor do Caeb (Centro Ambiental Edoardo Bonetti) e engenheiro florestal Rogerio Romero Mazzeo explicou que até mesmo o nome da região já remete à essa importância ambiental.
A entrevista na íntegra está disponível abaixo.
“Vale do Paraíba. Só com esse nome a gente já consegue imaginar. É um vale porque nós estamos entre duas serras e isso gera um monte de nascentes. Até o nome da Serra da Mantiqueira, que é a mais famosa que a gente tem aqui, é Amantikir – serra que chora. E toda essa água que é drenada vai para um vale. Como a gente chama, Vale do Paraíba, devido ao Rio Paraíba do Sul”, explicou.
Para o engenheiro, o rio que beneficia a região pode ser considerado um dos mais importantes do Brasil devido ao tamanho da população que ele abastece.
Sua nascente fica na serra da Bocaina, no município de Areias (SP), mas seu curso de água banha não somente o estado de São Paulo, como também os do Rio de Janeiro e Minas Gerais. Seu percurso total, até a foz em São João da Barra (RJ), é de 1.137 km.
“A gente causa influencia na vegetação que a gente tem aqui. E a vegetação, por si, já causa uma influência nos animais e em toda a ecologia que a gente tem aqui”, disse.
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Rogerio Romeiro explica como é formado o bioma do Vale do Paraíba – Foto: Reprodução/YouTube
Biomas
Principal polo econômico da região, São José dos Campos é a cidade que dá ao Vale a fama de potência industrial. O que é pouco conhecido é a etimologia desse nome. O termo “campos” remete ao cerrado, o bioma que prenominava antes da industrialização.
“Cerrado é a vegetação original aqui da nossa região, grandes trechos de onde é hoje a área urbana da cidade. A gente tem que trazer isso mais à tona, deixar esse conhecimento mais vivo para a população. E também buscar criar um conceito, principalmente nas gerações mais novas, de que a natureza é uma coisa importante”, refletiu o engenheiro florestal.
Destruição da Mata Atlântica
Para entender o processo de devastação que o Vale do Paraíba passou ao longo dos anos, é necessário relembrar a história. A região tem sua importância econômica desde a rota do ouro de Minas Gerais na era colonial, passando pelo avanço dos cafezais, da pecuária leiteira até a expansão urbana.
Um mapa desenvolvido e divulgado pelo Instituto Florestal estima como foi a destruição da Mata Atlântica ao longo dos anos. Segundo os dados, esse processo começou no Vale do Paraíba.
“Hoje, o que a gente tem são vários pedaços que sobraram, que a gente chama de fragmentos florestais. Esses fragmentos, dentro da medida do possível, precisariam ser ampliados e conectados”, frisou Rogerio Romero.
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Parque Natural Augusto Ruschi, em São José dos Campos, principal Unidade de Conservação de Proteção Integral do Município – Foto: PMSJC
Como restaurar?
Conforme o engenheiro florestal explicou, há duas formas de recuperar o bioma na região. A primeira é isolando uma determinada área do gado, que, apresar de ter sua importância econômica e alimentícia, impede o crescimento de floresta devido compactação do solo ocasionada pela sua pisada.
“É muito difícil você conseguir plantar uma floresta com o gado passando ali. Então a gente isola a área. Se tiver trânsito de bichos que tragam sementes, a gente pode só deixá-los isolado e a floresta vai regenerar sozinha”, explicou.
A segunda forma é mais direta e acessível ao público.
“Ou então a gente pega a semente, faz a muda e planta as árvores, que vão criar uma estrutura para, no futuro, virar uma floresta. São os métodos mais comuns”, disse.
Segundo o especialista, o trabalho de restauração florestal também favorece a fauna original que ainda vive na região.
“Quanto mais, melhor para conectar essas áreas. Para que uma onça que está no fragmento A possa encontrar com um grupo de onça do fragmento B”, explicou.
Confira a entrevista na íntegra:

