
Foto: O Grito: obra expressionista de Edvard Munch
Estamos todos sujeitos a grandes conflitos internos, crises existenciais e sentimentos, que nem sempre, conseguimos nomear. Não é algo raro que em algum momento da vida a gente se questione sobre a nossa saúde mental ou até mesmo sobre a nossa sanidade mental.
Isso acontece, pois, muitas vezes experimentamos a sensação de descontrole das nossas emoções, o que acontece, na maior parte das vezes, quando nos sentimos no limite.
Qual a diferença entre ter momentos de intenso sofrimento e se sentir “no limite”, e um transtorno psiquiátrico grave?
Passar por momentos de dor e sofrimento faz parte da condição humana, todos nós passaremos por momentos difíceis que nos geraram sentimentos dolorosos, assim como a sensação de descontrole, no entanto, quando avaliamos, são situações passageiras, que encontram um fim com a resolução do problema.
Entretanto, existem distúrbios mentais crônicos: são aqueles que apresentam início, em sua maioria, gradual, que, em geral, apresentam múltiplas causas e cujo tratamento envolve mudanças de estilo de vida, em um processo de cuidado contínuo que não leva à cura e sim o controle. Causam grande sofrimento emocional para os pacientes e também para a família e têm um enorme impacto negativo nas relações sociais, profissionais, acadêmicas e afetivas do indivíduo, incapacitando-o de realizar atividades cotidianas. Eles são chamados Transtornos Mentais Graves e Persistentes.
Segundo Ministério da Saúde, 3% da população desenvolve esse tipo transtorno. Em geral, os primeiros sintomas se manifestam no final da adolescência e início da vida adulta, isso acontece devido a questões hormonais.
Há uma vasta gama de doenças incapacitantes e, cada uma, com suas características e necessidades diferentes. Dentre eles, estão:
- Transtornos psicóticos, como a esquizofrenia;
- Transtornos afetivos graves, como o Transtorno Afetivo Bipolar;
- Transtornos do espectro impulsivo-compulsivo:
- Transtornos de personalidade.
Todos os transtornos mentais graves e persistentes possuem tratamento, e esse tratamento é fundamental, pois sem ele existe uma grande chance de que o paciente piore. Porém, para ele ser eficaz é preciso adotar uma série de medidas e estratégias, junto a uma equipe multidisciplinar, que envolve psicólogo e psiquiatra. Importante lembrar que, dentro da psiquiatria, não se pode falar em cura desse tipo de transtorno, e sim de controle. O tratamento é o melhor e mais eficaz método de controle de evolução da doença e em muitos casos pode proporcionar ao paciente uma vida autônoma e funcional, como a de qualquer um de nós. Poder contar com o apoio da família é fundamental para o bem-estar e qualidade de vida do paciente, mas é importante não esquecer de cuidar de quem cuida, assim a família também necessita de apoio e acompanhamento psicológico.