
Quem já não teve o pensamento, em pleno final de semana, que deveria fazer algo produtivo? Vivemos um momento em que ser produtivo virou a ordem do dia. Vemos isso acontecer principalmente na nossa vida profissional, onde cada vez mais somos exigidos de maneiras diferentes, como nos prazos cada vez menores, conhecimento cada vez mais específico em um assunto e uma carga horária cada vez maior.
Cada vez mais (e o home office ajudou nesse processo) o trabalho invade nosso espaço pessoal, nossa casa e nossos momentos que antes seriam de lazer. O que antes era visto como uma exceção, virou regra e agora o trabalho se estende e toma conta da maior parte da nossa vida e das nossas preocupações, fazendo com que sintamos a necessidade de sermos produtivos a todo tempo.
Claro que o trabalho é parte fundamental da nossa vida, mas estamos perdendo de vista o que existe além. Nossa vida pessoal está cada vez mais prejudicada por nossas escolhas, e a sensação de vazio inevitavelmente surge.
Questionamentos sobre quem somos, que rumo estamos dando a nossa vida e uma profunda constatação de que só trabalhamos, nos abatem. Se não somos apenas o nosso trabalho, o que somos?
Essa pergunta pode tirar nosso sono, não? Responde-la não é tão simples, até porque mudamos constantemente e essa resposta precisaria ser respondida algumas vezes ao longo da nossa vida.
No entanto, podemos deixar esse questionamento menos pesado se não nos perdermos de vista, ou seja, se aprendermos a não nos deixar de lado. Isso vai acontecer através do processo de autoconhecimento (psicoterapia), em momentos de descanso (fundamentais para desacelerarmos) e a busca por atividades que nos dão prazer.
Em um mundo que nos hiperestimula, onde sempre existe algo que rouba a nossa atenção e nos prende, como as redes sociais, plataformas de streaming, entre outras distrações prontas, perdemos a capacidade de ficarmos sem fazer nada, desfrutar do ócio e buscarmos por atividades que nos conectem com nós mesmos.
Essa hiperestimulação, com uma vida profissional que domina a nossa vida e a nossa recente incapacidade de nos sentirmos entediados, nos traz a sensação de que deveríamos ser produtivos a todo tempo, inclusive nos momentos de lazer.
Devemos considerar que descansar e relaxar não é apenas algo prazeroso, mas também uma necessidade de nosso corpo e mente. Será dessa forma que iremos conseguir desacelerar o suficiente para respondermos aquela nossa pergunta inicial: quem somos além do nosso trabalho?
Entendo que o excesso de demandas e afazes, muitas vezes, fazem com que a gente se sinta irresponsável ou culpado pelos momentos de lazer, mas são nesses momentos que podemos ser quem realmente somos, que podemos sair do nosso papel profissional para exercitarmos nossa individualidade e fazer coisas que nos dão prazer e vão ser alimento para nossa essência.
Fora que, voltando ao assunto profissional, recarregar as energias e se reestabelecer é fundamental para as próximas tarefas, desafios e jornadas, e para sermos de fato, produtivos.
Descansar não é necessariamente dormir ou ficar sem fazer nada, mas sim também fazer algo fora do convencional, alguma atividade que não seja motivo de estresse.
Algumas sugestões para você começar a explorar seus gostos pessoais:
- tocar algum instrumento;
- praticar algum esporte;
- fazer trilhas;
- viajar;
- ler algo que não tenha relação com o trabalho.
Por isso, relaxe sem culpa e tire um tempo para você e para as coisas e pessoas que você gosta. Invista na sua busca por você.