
O ex-vereador Noilton Ramos assume, interinamente, a secretaria de habitação de Taubaté, pasta que foi criada na atual gestão do prefeito José Saud (MDB). Desde que foi aprovada em dezembro, Saud vêm definindo nomes para ser o titular da pasta.
“Não vou nomear ninguém agora. Quero alguém que consiga trazer habitação para Taubaté, alguém com força política pra trazer recursos”, disse o prefeito em recente entrevista ao jornal OVale.
Saud desmembrou a área de habitação que era um departamento dentro da secretaria de Planejamento, cujo diretor era o ex-vereador Noilton Ramos. Agora, com essa nova função, o salário de Noilton passa dos atuais R$ 12.453,88 para R$ 18.000,00.
Apoiador de Saud durante as eleições de 2020, Noilton não conseguiu se reeleger para a câmara municipal de Taubaté. Ele foi vereador na cidade por 4 mandatos.
Em 2018, o então vereador teve o mandato cassado por infidelidade partidária pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-SP). No mesmo ano, afiliado ao PSL e apoiando o atual presidente Jair Bolsonaro, Noilton se candidatou a Deputado Federal e conseguiu 13.499 votos, porém, não o suficiente para conseguir a vaga.
Em outubro de 2021, o Jornal OVale revelou um esquema de notas fiscais irregulares na Câmara de vereadores de Taubaté e o nome do ex-vereador Noilton Ramos apareceu após uma batalha judicial que o jornal teve que enfrentar para obter acesso a relatórios de viagens oficiais dos vereadores.
Na legislatura de 2013 a 2016, o ex-vereador Noilton Ramos recebeu pelo menos R$ 1.125,19 da Câmara de Taubaté para ressarcir despesas de viagens que foram comprovadas por notas fiscais com irregularidades.
Noilton, em um dos exemplos de irregularidades, apresentou duas notas com dois rodízios cada, e uma nota com dois pratos.
Em nota enviada ao jornal na época, o ex-vereador admitiu que apresentava notas com refeições consumidas por servidores da Câmara, já que os motoristas usavam as diárias recebidas “como complementação de renda”. “Todos os vereadores, quando em viagem, acabavam por custear a alimentação dos motoristas, até mesmo por uma questão de respeito e humanidade, chamando-os para as refeições em conjunto”.