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O presidente da Anfavea (associação de fabricantes de veículos), disse nesta quinta-feira (4) durante coletiva de balanço do setor, que a indústria de transformação, onde se inclui o setor automobilístico, é a que tem a maior tributação; é a que mais sofre também com a carga tributária indireta e custos de logística; paga mais do que os setores de serviço e agricultura. Numa palavra, a indústria de transformação seria a que “carrega o País nas costas”.
Questionado sobre o fato de que a maior parte dos carros no Brasil (98,5%) paga entre 27,1% e 29,2% de imposto, Luiz Carlos Moraes disse que os custos tributários dos veículos vão além dos tributos diretos, mas não contestou que o carro paga menos imposto que medicamento (30%), calças jeans (38,5%), celular (39,8%) ou máquina de lavar (42,7%), conforme dados do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação.
Se isso é comparável, é preciso comparar também a margem de lucro, que tem as mesmas proporções, ou seja, lucra-se infinitamente mais num carro do que numa máquina de lavar.
Luiz Carlos Moraes contestou a tese de que a indústria seria o setor mais protegidos sem gerar as devidas contrapartidas à sociedade. Disse que, enquanto a desoneração fiscal sobre arrecadação tributária de todos os setores econômicos foi de 18% na última década o setor automotivo não representou mais do que 2% de toda a desoneração fiscal realizada pelo governo federal (redução dos impostos por conta de políticas setoriais ou regionais de estímulo à industrialização ou a investimentos em produto e desenvolvimento.
Citou como exemplo de contrapartida o investimento feito no programa Inovar-Auto (2013 a 2017), que melhorou a eficiência energética de motores de veículos. Segundo o dirigente, a desoneração de R$ 6,8 bilhões resultou em uma economia anual de R$ 7 bilhões em gasto com combustíveis nos veículos.