A caminho da cozinha para preparar o café da manhã fui atingida por um feixe de luz solar. Ele vinha da varanda e anunciava um amanhecer novo e puro. Iniciei meu ritual para preparação do café e percebi, em meio aos automatismos matinais, que a luz vinda de fora insistia em me afetar. Deixei a água fervendo e fui até a varanda buscar o dono do feixe de luz.
Avistei um céu limpo, com azul intenso e os outros irmãos do filete iluminado. O tempo estava frio, mas a presença brilhante do sol aqueceu meu espírito. Percebi que o feixe que se dirigiu a mim, desde o momento que o percebi, queria atenção. Pausei o tempo para senti-lo e fechei os olhos para aguçar minhas sensações. Experimentei os efeitos do abraço caloroso do sol em meu corpo. Abri os olhos e contemplei as cores intensas ao meu redor proporcionadas pela luz da manhã.
Abri as janelas da minha alma e recebi o azul profundo do céu, o verde calmante das folhas das minhas plantas, o rosa amoroso das pétalas de flores e o dourado revigorante do meu feixe de luz amigo. Agradecida pela experiência solar e banho de cromoterapia retornei à cozinha para finalizar o café. Já não era mais a mesma. O encontro iluminou o dia que começava.
Inspirada pela luz, fui para o quarto e me vesti de cores para sair. Escolhi um vestido azul de tricô macio e um cachecol colorido para me acompanhar durante o dia. Para os lábios, convidei o rosa choque como enfeite do meu sorriso. Não me importei dele ficar debaixo da máscara, bastava lembrar que estava ali intenso e disponível às pessoas queridas.
Nos pés, calcei minhas aquecedoras “botas de guerra”. Fechando o zíper da minha bota descobri que podia também fechar a tristeza que vinha me acompanhando nos últimos dias. O feixe de luz tinha vindo pra ficar. Focada no brilho e nas cores, saí de casa para os atendimentos clínicos. Ao longo do dia me surpreendi com os múltiplos sorrisos dos olhos que recebi de volta e com minha alegria crescente.
No fim da tarde, olhei para o crepúsculo e admirei novamente o sol. No horizonte avermelhado, observei-o desaparecendo no céu, mas ainda com sua luz presente em mim. Com a alma colorida e renovada agradeci ao astro-rei!