Foto: Arquivo Pessoal
Um paciente de 74 anos morto pelo novo coronavírus (Covid-19) teve o corpo trocado e sua família enterrou outra pessoa nesta terça-feira (19) em Caraguatatuba. As vítimas da doença são sepultadas com caixões lacrados e sem velórios para evitar a propagação da doença, o que dificultou no reconhecimento do erro.
De acordo com a filha do paciente João Marcos de Oliveira, Graziela Oliveira, a troca foi percebida quando uma família que velava um ente que não morreu por coronavírus recebeu o caixão lacrado. Eles abriram a tampa e perceberam que não era o familiar. “Já é um processo muito difícil, não podemos ter a família perto. Quanto entraram em contato conosco falando que tinha um equívoco, no começo a gente não entendeu. São três famílias passando pela mesma situação. O pior foi ter que fazer o reconhecimento do corpo, tive que me expor na ala de tratamento de covid-19 do hospital”, disse.
“Só desejo q isso não aconteça com nenhuma outra família. A dor de perder um familiar já é grande, na pandemia enorme, esse sofrimento não precisa se tornar insuportável”, afirma Graziela.
Enquanto isso, a família de João Marcos velava a vítima, à distância, sem saber que não era seu corpo. Após 10 dias internado, ele morreu pelo novo vírus na Casa de Saúde Stella Maris, na segunda-feira (18).
Horas após o enterro, Graziela recebeu uma ligação do hospital com a notícia. Com o reconhecimento, o corpo foi liberado novamente para o sepultamento.
O enterro correto aconteceu nesta quarta-feira (20) e a família registrou um boletim de ocorrência na Polícia Civil.
A administração do hospital Stella Maris informou que tomou todas as medidas necessárias para regularizar a situação. O hospital deve instaurar uma sindicância interna para apurar o fato.
A prefeitura informou, em nota, que a Vigilância Sanitária do município determina as unidades hospitalares e segue protocolos do Ministério da Saúde quanto aos corpos suspeitos ou confirmados pela Covid-19, como higienização, identificação por parte de um familiar devidamente paramentado, identificar o corpo com nome, número do prontuário, número do CNS (Cartão Nacional de Saúde), data de nascimento, nome da mãe e CPF, utilizando esparadrapo, com letras legíveis, fixado na região torácica, colocação do corpo em dois sacos com zíper e armazenamento na geladeira até a chegada da funerária.
