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Descubro que os dias que namoro o sol começam e são melhores que os dias que me esqueço dele. Compartilho a minha varanda com as minhas plantinhas e as observo ali, sempre quietinhas, verdinhas e, aparentemente, sempre felizes e saudáveis. Por que não aguentar apenas alguns dias de quarentena em casa? Respiro.
Respiro e tento meditar buscando absorver a experiência inebriante da manhã. Respiro e busco calma e paz em meio ao caos lá fora, em meio ao inimigo invisível que nos aprisiona em nossos lares. Respiro e busco a minha melhor companhia dos últimos dias: meus livros!
Com eles não me sinto aprisionada, mas viajo por mundos e tempos diversos. Por meio deles conheço pessoas muito interessantes e experimento sentimentos deliciosos. Eles me fazem voltar no passado adolescente, na infância curiosa e também me projetam para um futuro sonhador. Como eu queria que os livros também fossem bons companheiros do meu filho!
Mas, percebo que cada um busca passar este momento de um jeito singular: uns assistindo filmes, jogando videogame, baralho, outros comendo, participando ativamente das redes sociais, cozinhando, estudando ou trabalhando em seus home offices. Não há jeito melhor ou pior. Cada um convida o seu melhor hábito para companhia nesses dias difíceis. Misturar os hábitos também pode ser uma forma interessante de se entreter e, talvez, este seja também o momento ideal para descobrir uma nova atividade, se aventurar por algo desafiante ou redescobrir uma atividade!
Eu escolhi os livros que me libertam e redescobri a escrita compartilhada aqui, que me organiza e me sensibiliza. Inspirada pela minha mãe e incentivada pelo meu pai sempre adorei escrever. Na minha adolescência, após um inconsolável término de namoro, recebi do meu pai papel e canetas de presente. Sem entender como aquilo me ajudaria a superar minha tristeza ele me disse: “Escreva filha, escreva o que sente, o que viveu e o que sonha. Sua escrita te ajudará a superar a perda, te fortalecerá e te fará entender os rumos da vida. Escreva pra você. Você sempre será sua melhor amiga!”
Quanta sabedoria em fase tão ingênua me era compartilhada. Acatei o conselho: escrevi após o fim do namoro, após a morte do avô amado, diante das dúvidas que a vida me apresentava, na gravidez do meu filho, após a mudança de cidade. Interrompia tal atividade apenas para seguir adiante com os afazeres da vida, com os estudos desenfreados que sempre tive como meta. Voltei a escrever motivada pela moda que permitia vestir-me de sentimentos e palavras incríveis no dia a dia.
Hoje, além dos meus grandes amigos livros mantenho os conselhos paternos e escrevo. Escrevo pra mim mesma, para algumas pessoas que me conhecem e dizem que a escrita as inspira. Escrevo para produzir no tempo e não para passar o tempo. Escrevo para aguçar minha sensibilidade diante dos fatos corriqueiros da vida, para ocupar os espaços da minha mente. Também escrevo para ser mais humana e entender melhor os que me rodeiam, para ser mais empática e para eternizar os melhores acontecimentos da minha vida.
Descubro que não há solidão com meus amigos inseparáveis livro e escrita sempre é possível estar cheio da gente mesma!
