
Foto: Julia Carvalho/OVale
Em ‘visita relâmpago’ ao Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Especiais), o Ministro de Ciência e Tecnologia do governo Jair Bolsonaro (PSL), Marcos Pontes, participou do evento de posse do diretor interino do Inpe, Darcton Policarpo Damião, em São José dos Campos.
O militar da reserva foi nomeado para o cargo no dia 8 de agosto, após exoneração de Ricardo Galvão. O escolhido tem doutorado em desenvolvimento sustentável e fez tese de doutorado sobre o desmatamento na Amazônia. Segundo seu currículo na plataforma Lattes, Darcton concluiu um mestrado em sensoriamento remoto pelo próprio Inpe.
“Vamos continuar o trabalho, o Inpe, como qualquer instituição com recursos limitados, enfrenta diversos desafios. Vamos priorizar alguns projetos e contar com o apoio do ministério para resolver as situações da melhor maneira possível”, afirmou Darcton.
O novo diretor interino deve permanecer no cargo até setembro de 2020, quando um comitê de busca deve indicar três nomes, realizando uma votação para escolher o novo responsável pelo cargo efetivo do instituto.
“O Inpe continua com as suas funções e nós temos, somando com o centro espacial de Alcântara, vai nos permitir, a partir do ano que vem, ter mais verbas que serão destinadas para cá [Inpe] no desenvolvimento de pesquisas”, explicou o novo diretor.
AMAZÔNIA
Ricardo Galvão, que era diretor do Inpe, deixou o comando do instituto após o presidente tecer críticas quanto à divulgação de dados sobre o crescimento do desmatamento constatado na Amazônia. Bolsonaro, na época, chamou os dados de “mentirosos”.
Questionado, o ministro afirmou que o sistema de mapeamento deve continuar sendo elaborado pelo Inpe. “Dados são dados, temos que trabalhar nos efeitos dos dados, a ideia é melhorar o sistema com entrada de novos recursos e ter um trabalho ainda melhor. O Inpe vai continuar a produzir os dados de alerta e todos os outros vão ser melhorados”, afirmou Pontes.
De acordo com o Sistema de Alerta de Desmatamento, que atua em conjunto com o Inpe, o desmatamento na Amazônia aumentou 15% no acumulado dos últimos 12 meses se comparado ao período anterior.
“A divulgação dos dados tem sido feita de uma maneira normal, com o Ibama talvez volte ao sistema antigo, quando entregávamos cinco dias antes de ser publicado, ainda não sabemos se eles vão querer que seja assim, isso vai ser discutido em conjunto. A parceria vai continuar e ser cada vez mais forte”, explicou o ministro.
BOLSAS
O CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, agência federal de fomento à pesquisa) publicou uma nota nesta quinta (15) informando que novas indicações de bolsas estão suspensas e que o orçamento para o órgão não deve ser integralmente recomposto em 2019.
Com o déficit de mais de R$ 300 milhões, que vem desde a Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2019, aprovada em 2018, a agência já havia congelado chamadas para financiamento de pesquisas e de bolsas. Cerca de 80 mil bolsistas são financiados pelo órgão.
No Inpe, aproximadamente 500 pesquisadores são bolsistas do CNPq. Após o evento, membros da APG (Associação de Pós-Graduandos) abordaram o ministro para questionar sobre a situação das bolsas.
“O CNPq tem sido preservado durante todo esse tempo, mas a gente sabe que o dinheiro para as bolsas termina em setembro, eu tenho conversado com o governo para entender o lado deles. O próprio presidente tem tentado aumentar o nosso orçamento, mas existem outros cálculos de distribuição pensados em todo o governo. Temos essa situação emergencial, existem recursos de bancos que devem entrar e em setembro vamos garantir, com a milha palavra, que a gente vai conseguir esse recurso”, afirmou o ministro.
“Reforçamos o compromisso com a pesquisa científica, tecnológica e de inovação para o desenvolvimento do País, e continuamos nosso esforço de buscar a melhor solução possível para este cenário”, diz a nota do CNPq.