Xandu Alves/OVALE
Foto: Agência Brasil
O Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) defendeu a qualidade do trabalho de análise do desmatamento da Amazônia, que é feito desde 1988, após o general da reserva Augusto Heleno, ministro-chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), ter dito que os “índices de desmatamento na Amazônia são manipulados”.
A declaração de um dos principais líderes do governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL) foi dada em entrevista ao portal BBC News Brasil.
Em nota, o Inpe afirmou que a “transparência e a consistência da metodologia para monitorar o desmatamento na Amazônia são reconhecidas internacionalmente”.
“O Prodes [Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite], nosso sistema pioneiro, possui mais de mil citações na literatura científica pela excelência de seus dados”, afirmou o órgão federal.
E completou: “O Inpe monitora constantemente a qualidade dos dados sobre desmatamento, que atualmente apresentam índice superior a 95% de precisão. A política de transparência dos dados adotada pelo Inpe permite o acesso completo a todas as informações geradas pelos sistemas de monitoramento, possibilitando avaliações independentes pela comunidade usuária, incluindo o governo em suas várias instâncias, a academia e a sociedade como um todo”.
Nesta quarta-feira, o Inpe divulgou novos dados que mostram que o desmatamento na Amazônia Legal brasileira atingiu 920,4 km² em junho, alta de 88% contra os 488,4 km² no mesmo mês em 2018.
“A Amazônia é brasileira e quem tem que cuidar dela somos nós. Esses índices de desmatamento são manipulados. Se você somar os porcentuais que já anunciaram até hoje de desmatamento na região, a Amazônia já seria um deserto”, afirmou Heleno ao portal de notícias da BBC.
POLÊMICAS
Esta já é a segunda vez, em menos de um mês, que membros do governo de Jair Bolsonaro questionam o trabalho realizado pelo Inpe. Em junho, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, disse querer contratar uma empresa privada para melhorar o monitoramento da Amazônia. Ele culpava o atual monitoramento do Inpe pela ineficácia no combate ao desmate.
Geólogo do instituto garante que não há como manipular dados do desmatamento
Geólogo, pesquisador Inpe e membro do projeto PanAmazônia, Paulo Roberto Martini disse nesta quinta-feira que não há como manipular os dados de desmatamento feito na floresta amazônica. De acordo com o especialista, tudo é baseado em parâmetro científico.
“A imagem [de satélite] passa por um pré-processamento, que faz a segmentação, baseado em parâmetros científicos. Não temos como manipular. Os dados são registrados e disponibilizados para quem quiser interpretar”, afirmou o especialista do instituto. Segundo ele, os Estados Unidos e a Comunidade Europeia usam dados do Inpe sobre a Amazônia, o que seria uma garantia de qualidade para o trabalho da instituição.
“Essas declarações não ajudam em nada, só atrapalham. Não é simplesmente jogar no ventilador, fica uma irresponsabilidade”, afirmou Martini, durante entrevista.
