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    Opinião

    Opinião: O novo ministro da Educação e o entrave ideológico do governo

    16 de abril de 2019Updated:16 de abril de 2019Nenhum comentário4 Minutos de Leitura
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    Ministro da Educação, Abraham Weintraub. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

    Por Leandro Becceneri

    A Educação é um direito fundamental, garantido pela Constituição Federal, sendo um componente estratégico no desenvolvimento nacional de um país, de sua sociedade e de seus indivíduos. Sua importância é transversal a todos os temas presentes na sociedade, como emprego, renda, violência, saúde, meio ambiente, dentre outros.

    O Brasil ocupa as últimas posições nos rankings mundiais de educação, com destaque para o PISA (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes), onde de 70 países avaliados, se encontra na 63ª posição em ciências, na 59ª em leitura e na 66ª colocação em matemática, segundo dados de 2016. As origens desse desempenho são variadas, como a má estrutura das escolas públicas, a baixa remuneração dos professores, a desmotivação dos alunos e a defasagem das técnicas educacionais.

    Nesse contexto, de crises e desafios vultosos, em menos de quatro meses de novo governo o Brasil já conta com seu segundo ministro da Educação. Abraham Weintraub, novo titular da pasta, tomou posse na última terça-feira, dia 09/04/2019. Assim como Ricardo Vélez, não apresentou planos ou objetivos claros, dizendo que sua função é “apaziguar” e acalmar os ânimos no ministério. Ora, se a principal função do ministro da Educação é servir de tutor a adultos muito bem remunerados que passam suas horas de trabalho discutindo toscamente questões ideológicas, creio que isso seja mais um problema do que uma solução.

    O ministro anterior não durou um terço de ano no cargo. Em meio a confusa (para não dizer bizarra) gestão, Vélez travou o Ministério da Educação (MEC), sem apresentar planos, objetivos ou ações concretas, tornando um dos ministérios mais importantes da nação em um grande circo ideológico, onde grupos rivais disputam, na figura de “olavistas” e militares, os cargos mais importantes e influentes da pasta.

    Nesse contexto de desordem, é importante ressaltar que o novo ministro não possui experiência na educação, sendo formado em economia e tendo atuado no mercado financeiro durante boa parte da carreira. Um liberal pró-mercado que, na melhor expressão de incoerência bolsonarista, é professor de uma universidade pública federal. Os secretários da pasta, indicados pelo ministro, também não possuem experiência na área. Nada de educadores, especialistas ou pedagogos no alto escalão do Ministério da Educação.

    Seguidor do astrólogo, “guru” da direita e autointitulado filósofo, Olavo de Carvalho (daí o termo “olavista”), o novo ministro acredita estar em uma cruzada contra um dos maiores fantasmas da direita, o chamado “marxismo cultural”. Em fórum conservador realizado em 2018, Abraham Weintraub deu a “fórmula” para vencer a esquerda: usar humor e inteligência e “não ter premissas racionais” no debate político. Seguindo essa lógica, o ministro destaca seu ponto de vista sobre a ameaça comunista, em vídeo recente divulgado nas redes sociais: “Os comunistas são o topo do país. Eles são o topo das organizações financeiras; eles são os donos dos jornais; eles são os donos das grandes empresas; eles são os donos dos monopólios…”. É difícil de acreditar que um adulto, formado em economia e professor de universidade pública, pense assim. E, ironicamente, ainda dizem que o comunismo não deu certo…

    É importante lembrarmos que no Brasil do século XXI, ainda convivemos, infelizmente, com muitas questões no âmbito educacional que deveriam ter sido enfrentadas e resolvidas no passado. Agora, se continuarmos no mesmo processo de atrasos e retrocessos, corremos o risco de aprofundar ainda mais as imensas desigualdades existentes, ao ver nosso país não proporcionar às crianças e jovens uma educação de qualidade, que lhes garanta igualdade de direitos e oportunidades, preparando-os para o exercício da cidadania.

    É preciso termos em mente que a educação é e será a alavanca para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária, a sociedade do futuro. É hora de o país parar de olhar no retrovisor e começar a olhar para frente.

    análise ministério da educação opinião Weintraub
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