Foto: Rogério Marques/OVale
A concessionária ABC Transportes solicitou à Prefeitura de Taubaté que a tarifa do transporte público seja reajustada para R$ 6,07. A informação foi divulgada nessa quarta-feira por Manoel Adair dos Santos, diretor da empresa que foi ouvido pela CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Transporte.
Segundo o diretor da ABC, o estudo foi protocolado pela concessionária no mês passado. Pelo contrato, os reajustes devem ocorrer anualmente, sempre no mês de julho.
Caso o aumento solicitado pela empresa seja autorizado, isso representará uma alta de 37,95% no valor atual da passagem. Desde julho passado, a tarifa técnica é de R$ 4,40. Os passageiros, no entanto, pagam R$ 3,90 (tarifa pública). A diferença de R$ 0,50 é subsidiada pela prefeitura. Procurado, o governo Ortiz Junior (PSDB) não comentou o novo pedido de reajuste.
De acordo com o diretor da ABC, o reajuste da tarifa seria necessário para restabelecer o equilíbrio econômico-financeiro do sistema.
Segundo Adair dos Santos, de 2015 a 2018 houve uma queda de 20% no número de passageiros transportados na cidade. Em relação aos passageiros pagantes, a redução teria sido ainda maior, de 27%.
“Hoje o sistema está em desequilíbrio econômico-financeiro, a conta não se paga”, afirmou.Ele disse ainda que o problema ocorre em todo o país e que, embora não tenha estudos sobre o tema, o impacto de serviços de transporte por aplicativo no sistema “é bem pesado”.
Adair dos Santos afirmou ainda que, no cenário atual, a empresa não tem condições de implantar melhorias como sinal de internet wi-fi e ar-condicionado nos ônibus. “Não existe almoço de graça, alguém tem que pagar a conta. Mas a situação atual da empresa não permite que ela faça novos investimentos hoje”.
Questionado pela CPI sobre reclamações de passageiros pelo serviço prestado, o diretor da ABC afirmou que a empresa cumpre os itinerários determinados pela prefeitura e que as linhas têm um índice de pontualidade superior a 90%.
À CPI, secretário ressalta que decisão do TCE sobre contrato não é definitiva
Também ouvido nessa quarta-feira pela CPI, o secretário municipal de Negócios Jurídicos, Jayme Rodrigues de Faria Neto, repetiu a defesa já apresentada anteriormente pela prefeitura na ação em que o Ministério Público pede à Justiça a anulação do contrato com a ABC, firmado em 2009. O secretário sustentou que a decisão do TCE (Tribunal de Contas do Estado), que considerou que a licitação foi direcionada à concessionária, não é definitiva – o órgão ainda não julgou o recurso da prefeitura. Faria Neto disse ainda que o prazo previsto pelo MP para que o município conclua uma nova licitação para o serviço, de 12 meses, seria insuficiente, caso a liminar solicitada pela Promotoria seja concedida pela Justiça.
(O Vale)
