
Nas praias do Nordeste, o “bugueiro” pergunta: com emoção ou sem emoção?
Se o turista responder “com emoção”, o bugue dispara alucinada pelas dunas de areia, acelerando nas subidas, voando pelas rampas, dando cavalo-de-pau nas escarpas, quase capotando com as quatro rodas pra cima nas descidas, fazendo o coração da turma sair pela boca e o estômago dar cambalhotas como trapezista de circo. Ufa! E se for “sem emoção”? Ah, daí é “céu de brigadeiro”, um tobogã, um passeio suave pelas escarpas de areia com direito a paradas de tempo em tempo para fotos, selfies, ensaios, água de coco.
Pois bem, a eleição para escolha do novo presidente da Câmara de São José dos Campos, realizada no dia 1. de outubro, foi um passeio de bugue sem emoção.
Vamos ser objetivos: até os paralelepípedos das ruas do centro velho da cidade já sabiam, há tempos, que o vereador Rafael Pascucci (PSD) seria o escolhido para comandar a Câmara de São José dos Campos no biênio 2027-2028. A votação – 19 votos a favor, 1 voto em branco e 1 voto nulo – apenas sacramentou um “acordão” fechado meses e meses atrás em torno de um candidato único. Lino Bispo (PL) até tentou articular uma candidatura alternativa, mas, sem conseguir reunir apoios suficientes, não encarou o plebiscito entre seus pares. Ah, teve também um “frege” quando o atual presidente da Casa, Roberto do Eleven (PSD), tentou antecipar a eleição fora do prazo, mas só resultou em marola, sem vitimas. Já escrevi sobre isso neste espaço.
Foi uma eleição atípica para a Câmara de São José dos Campos.
A história das eleições para o comanda da Casa de Leis é recheada de reviravoltas, tramoias, traições e “cambalhotas” que fariam inveja ao roteiro das novelas de Gilberto Braga, Manoel Carlos e Janete Clair. O ex-vereador e jornalista Luiz Paulo Costa, recém-falecido, adorava contar algumas delas, em meio a muitas gargalhadas. Ele sabia das coisas. Teve vereador que subiu as escadas do plenário “eleito” por seus pares e chegou à tribuna sem nem fazer parte da Mesa Diretora. Teve prefeito enganado pela oposição, que levou a Casa na articulação miúda. Teve oposição que viu a vitória fugir graças à “mão de gato” do ocupante do Paço Municipal. Teve “causos” para deixar careca de cabelo em pé. Nesses episódios, o “bugueiro” caprichou na emoção.
Na vitória de Pascucci, não.
Escrevi sobre esse tema logo após o Carnaval e o roteiro foi traçado e seguido do início ao fim. Sem emoção. Sem percalços. Sem surpresinhas de última hora. Boa sorte ao novo presidente no comanda da Câmara. Sucesso.
Segue o “bugue”. Ops, segue o baile…
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