
O jornalista e ex-vereador Luiz Paulo Costa morreu na manhã desta quinta-feira (17), por volta das 6h30, em Caraguatatuba, onde vivia atualmente. Ele tinha 83 anos e enfrentava Alzheimer.
O corpo será velado na Câmara Municipal de São José dos Campos, cidade onde construiu boa parte de sua trajetória, e depois será sepultado. Luiz Paulo deixa esposa, dois filhos e netos.
Natural do jornalismo joseense, ele iniciou a carreira em 1965 na Rádio Piratininga e passou por veículos como o jornal ValeParaibano e a Rádio Clube, além de ter atuado como correspondente do jornal O Estado de S. Paulo na região. Em 1976 deu início à carreira política, sendo eleito vereador, mandato que exerceria por cerca de vinte anos.
Antes disso, porém, sua trajetória já havia sido marcada por um dos capítulos mais duros da ditadura militar no país. Em 1970, enquanto trabalhava no ITA, foi preso por agentes do DOI-CODI, acusado de manter ligação com estudantes que tentavam reorganizar o Partido Comunista em São José dos Campos. Ficou detido por mais de 140 dias, passando por locais como a Base Aérea de Santos e o DEOPS, onde foi torturado, inclusive submetido à chamada “cadeira do dragão”. As sequelas físicas o levaram a internações na Beneficência Portuguesa e no Hospital das Clínicas.
Mesmo após esse período, retomou o jornalismo e a vida pública, e chegou a resistir a uma tentativa de cassação de seu mandato pela Arena. Anos depois, registrou essa experiência no livro “A Cadeira do Dragão – Memórias da Ditadura Militar”, publicado em 2022, um dos seis livros que escreveu ao longo da vida, a maioria dedicada à história e à memória de São José dos Campos.
Luiz Paulo também ocupava a Cadeira 4 da Academia Joseense de Letras, reconhecimento a uma trajetória que atravessou o jornalismo, a política e a literatura na cidade.
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